01/09/2018
Ano 21 - Número 1.091


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Braz Chediak



O AMOR SE CHAMA MANUEL



Li, hoje, um artigo na internet “ensinando” como se faz para esquecer um amor, como se isto fosse possível.
Como se os amores – todos os amores - não nos tivessem ajudado a construir ou compreender, mesmo que de maneira fragmentada, nossas vidas!
Sei que estamos vivendo num mundo onde tudo é efêmero.
Como disse Zygmunt Bauman, “o amor é mais falado do que vivido e por isso vivemos um tempo de secreta angústia”.
Mas, se viver sem amor nos causa angústia, como será viver sem suas lembranças, sem ter, nos momentos de devaneios, uma voz, a textura de uma pele, um sussurro... para recordar?
Não sei. Nunca me esqueci de nenhum amor.

Quero continuar a crônica, mas está muito frio. Começa a chover e daqui do computador sinto o gostoso cheiro de terra molhada.
E penso: amor é cheiro...
E me dá uma baita vontade de prestar uma homenagem ao nosso amado Manoel Bandeira e seu

“Poemeto Erótico”:

“Teu corpo claro e perfeito,
– Teu corpo de maravilha,
Quero possuí-lo no leito
Estreito da redondilha...

Teu corpo é tudo o que cheira...
Rosa... flor de laranjeira...
Teu corpo, branco e macio,
É como um véu de noivado...

Teu corpo é pomo doirado...
Rosal queimado do estio,
Desfalecido em perfume...
Teu corpo é a brasa do lume...

Teu corpo é chama e flameja
Como à tarde os horizontes...
É puro como nas fontes
A água clara que serpeja,

Quem em antigas se derrama...
Volúpia da água e da chama...
A todo o momento o vejo...
Teu corpo... a única ilha

No oceano do meu desejo...
Teu corpo é tudo o que brilha,
Teu corpo é tudo o que cheira...
Rosa, flor de laranjeira...”


E QUE ESTA HOMENAGEM SEJA TAMBÉM PARA TODOS, HOMENS E MULHERES, QUE NUNCA ESQUECERAM O AMOR. OS AMORES.

- Comentários sobre o texto  podem ser enviados, diretamente, ao autor:  brazchediak@gmail.com


Braz Chediak,
cineasta e escritor
Três Corações, MG


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