27/01/2007
Ano 10 - Número 513

ARQUIVO
BRUNO KAMPEL

 
Bruno Kampel



27 de janeiro

(dia internacional de lembrança do Holocausto)
 

 

Existe gente que é o vivo exemplo do que a medicina política define como doentes terminais de um fascismo letal que se alimenta com o ódio irracional ao outro pelo que o outro pensa ou reza; por esse mesmo ódio sem motivo que apodrece e ofende tudo que toca e defende; pelo mesmo ódio irracional que gera mortos e desaparecidos nas guerras sujas e depois se fantasia de paladino da liberdade; pelo mesmo ódio criminal que mata e depois “chora” no enterro das suas vítimas.

Sim. Esse maldito fascismo carregado de anti-semitismo mal dissimulado sob a capa de verniz do anti-sionismo, é o verdadeiro inimigo da humanidade, porque em seu nome sempre se transforma o adversário com o qual se deve debater no inimigo ao qual se tem que eliminar, imitando à perfeição a metódica fascista dos tempos do Duce e do Fürher, ainda que também poderia ser comparado ao modus operandi do stalinismo ultra esquerdista, porque ambas “ideologias” são irmãs gêmeas quanto ao seu desprezo em relação aos que pensam diferente; quanto ao abuso de símbolos pátrios sob os quais camuflam suas verdadeiras bandeiras e consignas; quanto à demonização e defenestração que usam com mestria contra quem se atreva a discordar deles.

Que ninguém tenha a menor sombra de dúvida que o que incomoda a esses anti-semitas é o que pensamos e dizemos sobre a quota de responsabilidade que as pessoas que pensam e dizem da forma que eles pensam e dizem, têm na aterrorizante metamorfose que sofreram nos últimos anos os conceitos de fidelidade à verdade e de respeito ao próximo dentro de alguns tumores ideológicos que aninham no corpo social de quase todos os países urbi et orbi, tendo tais conceitos se transformado em esburacadas consignas de ódio e de morte. Sim, o fascista acusa o democrata de ser fascista, e o anti-semita imputa ao judeu o crime de ser nazista.

No que a mim respeita, devo confessar que me incomoda muito o que eles digam, e por mais que o digam e o repitam sem parar, não deixo de ficar surpreso cada vez que os ouço, ao constatar o grau de baixeza moral que alguns podem atingir ao usar como discurso a injúria e a difamação e o puro e simples manuseio da verdade, à usança de Goebbels nos famigerados tempos do nacional socialismo.

Assim é que insultando, injuriando e difamando desde o púlpito da impunidade que ingenuamente lhes fornece a democracia; falsificando conceitos; manipulando contextos; mentindo com descaro em prosa e verso, reescrevendo a História simplesmente ignorando os fatos e as realidades que não se ajustem ao seu olhar revisionista, atuam com maior ou menor impunidade em todo o mundo, em qualquer idioma ou situação; em qualquer instância ou tribunal.

Eu me pergunto e lhes pergunto: Até quando?... Que é que tem que acontecer para que essa gente seja colocada no ostracismo que lhe corresponde?...

Doce engano de muitos pensarem que dentro da democracia cabem todas as idéias e todas as pessoas, ou que dentro de uma sociedade cabem todas as condutas. Não não e não. Nem na democracia nem na sociedade há lugar para a livre circulação de todas as idéias e de todas as pessoas.

Numa democracia justa não cabe o ódio racial, o ultraje, a difamação, nem tampouco seus defensores, como numa sociedade não cabe o assassinato ou o estupro, o anti-semitismo e os apologistas do crime, porque a sociedade quanto mais democrática e melhor preparada - se mune de instrumentos legais para impedir que tais aberrações sejam incorporadas por inércia à conduta tolerada ou permitida.

Convido a todos a dizer CHEGA!... ao anti-semitismo fantasiado de anti-sionismo. A dizer ATÉ AQUI!... aos discursos cheios de ódio racial. A impedir que a mentira infame se repita tanto que se transforme numa inocente verdade.

Nada mais e nada menos podemos fazer para que de uma vez e para sempre o anti-semitismo e o nazismo e o fascismo e seus apologistas e porta-vozes sejam apenas um longínquo e desafinado eco de um passado bem morto e enterrado.

No pasarán!




(27 de janeiro/2007)
CooJornal no 513


Bruno Kampel  é analista político, poeta e escritor.
Reside atualmente na Suécia.
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