16/08/2020
Ano 23 - Número 1.185






 

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Cândido Luiz Fernandes



PARA HELOISA




Querida irmã Helô, os sentimentos que sempre tive por você são de admiração, profundo amor e gratidão. Admiração pela sua independência, quando, ainda criança, a via sair para trabalhar no Tribunal Regional Eleitoral, o que lhe permitiu comprar o seu próprio carro numa época em que isso era pouco comum entre as mulheres. Admiração pela sua inteligência, pelo elevado nível cultural e acurado bom gosto. Gratidão pelo seu exemplo de vida e por ter influenciado tanto, ao longo dos anos, a pessoa que sou. Foi você que me levou pela primeira vez ao Teatro Marília para assistir a uma peça. Foi você que me matriculou na Cultura Francesa, onde, adolescente, aprendi a falar esta língua tão bonita e a amar a França como segunda pátria. Foi graças ao seu apoio que estudei na Cultura até ser aprovado no Exame de Nancy, tendo-a sempre como exemplo. Aplaudi a conquista de seus diplomas de língua e literatura francesa, vibrei com sua ida para Montpellier como bolsista da Capes em 1967 e sonhei em seguir seus passos como estudante numa Universidade Francesa. Foi você que me despertou para o magistério, inspirando-me no seu exemplo de dedicação como professora de Francês nos Colégios Estadual e São P aulo, devidamente recompensada pelo reconhecimento e homenagens dos alunos. Foi você que incentivou o meu gosto pelas artes plásticas e pelas músicas clássica e popular. Herdei seu violão Di Giorgio e nele comecei a dedilhar as primeiras canções e com ele a me tornar seresteiro e animador das festas daquela época. Sua influência no meu gosto musical foi tão grande que, muitos anos mais tarde, atrevi-me a gravar CDs onde interpretava alguns clássicos da música francesa. O primeiro disco que ganhei foi o compacto simples da Edith Piaf que você me deu, por ocasião da passagem da cantora pelo Rio, no qual ela canta “Non, je ne regrette rien”. Esta música me impressionou tanto que a registrei no CD “Un Chansonnier”. Foi você que me estimulou a gostar de poesia, incentivando-me a escrever poemas ainda criança e apresentando-me ao seu colega Affonso Romano de Sant’Anna. Admiração pela sua contínua busca do saber, quando, depois de muitos an os de casada e com os filhos criados, foi estudar Museologia e trabalhar na Fundação Eva Klabin. Admiração pela sua vontade de viajar e correr mundo, no que procuro também imitá-la. Admiração pela sua generosidade e simpatia, que a todos cativam. Admiração pela esposa dedicada ao marido Erton e pela excelente mãe que foi para o Henrique e para a Cristiana. Admiração pela sua religiosidade e fé, que a ajudaram a se manter firme diante dos rudes golpes que a vida lhe aprontou.

Profundo amor pela pessoa que você foi. Foram imensas suas demonstrações de afeto por mim, por meus filhos, por minhas netas. Você esteve sempre presente em todos os momentos da minha vida, nos alegres e nos difíceis. Lembro-me do período que passei no Rio fazendo o doutorado em Economia. Você sempre me ajudando, incentivando-me até o final, quando compareceu à defesa da tese. Você foi minha conselheira e me orientou, com sua ampla visão do mundo e experiência de vida, a pisar sempre em terra firme. Seu carinho e seu afeto foram inigualáveis, expressos em palavras, gestos e presentes, e se estenderam à minha família, que também a ama profundamente. Embora residindo em cidades diferentes, eu em Belo Horizonte e você no Rio de Janeiro, sempre estivemos muito próximos. No dia 11 de agosto de 2020, poucos dias após completar 81 anos de uma vida rica e fecunda, você partiu para os braços do Pai. Descanse em paz, minha querida irmã. Você sempre estará em nossos corações.


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Cândido Luiz de Lima Fernandes é economista e professor universitário
BH - MG
* Leia, também, seus artigos sobre música e compositores em www.riototal.com.br/musica/



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