29/09/2007
Ano 11- Número  548

- Honestidade não é virtude!


 
Chico Alencar 
  


QUE POPULARIDADE É ESSA?
 

 

Até 18 de novembro os internautas estão chamados a votar nos parlamentares que considerarem os mais representativos dos interesses da população, em eleição realizada pelo sítio www.congressoemfoco.com.br.  A lista é composta por 25 deputados e 16 senadores, pré-selecionados por 188 jornalistas que acompanham o dia-a-dia do Congresso Nacional em enquete realizada com o apoio do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal e da AMB. Os profissionais de imprensa relacionaram a nós, os três deputados federais e o senador do PSOL entre os 15 primeiros, o que muito nos honra. Reforçamos a necessidade da cidadania ativa e do controle social sobre os mandatos públicos.

Aproveito a oportunidade para comentar o artigo de Marcos Coimbra, "A Opinião Pública e Suas Esquisitices", publicado no Correio Braziliense (26/09/2007), onde problematiza e relativiza as pesquisas que apontam um Lula blindado, que consegue manter uma popularidade inimaginável em uma época de caos aéreo e crise de legitimidade das instituições democráticas, aprofundada com as denúncias envolvendo o presidente do Senado e com o resultado vergonhoso da votação que o deixou imune à cassação. No entanto, o que as pesquisas revelam é que nada parece atingir o governo Lula.

A explicação imediata seria a situação estável da economia nacional. É como se tudo valesse a pena se a economia não está pequena. Marcos Coimbra desconfia desse consenso e fez uma análise da última pesquisa do IBOPE.

As ações do governo na economia obtiveram níveis de aprovação abaixo de 50%: a política de combate ao desemprego foi reprovada por 53% dos entrevistados, a política de juros por 59% e a de combate à inflação só foi aprovada por 44%. O recorde negativo está na política tributária, com 67% dos entrevistados reprovando-a. Ainda: 85% disseram que os impostos são altos e não compatíveis com os serviços públicos existentes e 83% dos entrevistados avaliam que a CPMF não deveria ser renovada.

Os prognósticos também não são otimistas: na inflação, 52% esperam aumento. Em relação ao desemprego o quadro é preocupante: 52% acham que vai piorar e 19% que "não vai mudar". As pessoas se mostram pessimistas em relação à renda: apenas 31% dos ouvidos esperam que ela aumente, contra 26% que diminua e 38% que não mude.

Recupero as questões formulados por Marcos Coimbra: "Onde, então, está a explicação da popularidade do governo? Em que sentido muito genérico se pode dizer que é a política econômica que a ancora? O quê da política econômica? Se não é o modo como o governo age em relação à inflação, ao emprego, à renda, se não é a política tributária e a de juros?"

Quando se analisa com atenção o que as pesquisas revelam sobre a "popularidade" do governo Lula, concluímos que há um arremedo, um simulacro que produz a idéia de sociedade anestesiada, adormecida, que não reage ao ver a esfera política como espaço do assistencialismo e o Estado como formulador e provedor dessa concepção.

A pergunta: "como você analisa o governo Lula?" passa a ter concretude quando a vinculamos a indicadores concretos, como renda, emprego, inflação, tributos. Quando fazemos estes recortes emerge diante de nossos olhos um governo que padece de ações estruturantes no caminho da igualdade social. O "lulismo", desorganizados e personalista cresce na desesperança.




(29 de setembro/2007)
CooJornal no 548


Chico Alencar é professor e escritor,
está exercendo mandato de deputado federal (PSOL-RJ), como líder de sua bancada. dep.chicoalencar@camara.gov.br