01//08/2018
Ano 21 - Número 1.087





ARQUIVO
EDUARDO FARES
 

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Eduardo Fares



SABER VIVER (MEU PARADOXO)



Despender tempo para ouvir a chuva batendo no vidro da janela, olhar a água escorrendo nos declives do quintal e as plantas sorvendo agradecidas da terra encharcada.
É triste não participar dos momentos em que a vida se realiza.

Prestar atenção ao raiar do sol, quando seus matizes colorem a manhã e chegam aquecendo de mansinho. Receber estas benesses tal como os pássaros, exalando alegria, executando sinfonia.
É desperdício não saber valorizar o espetáculo.

Andar despretensiosamente pelos caminhos. Perceber a fumaça do fogão a lenha, garotos em algazarra saindo da escola e o serviço dedicado do varredor de rua.Ignorá-los é passar em branco pelas diversidades.

Observar os desenhos das nuvens, as flores das plantas e as folhas das árvores. Respirar, mas respirar com calma, fazendo deste exercício um ato de prazer. Apressar os passos é acelerar o fim sem usufruir dos meios.

Exprimir o bom dia não como se executa uma tarefa, mas como um dividir de prazeres e desejar de benesses. Saber superar o tropeção, a trombada, o mau acolhimento e a antipatia gratuita. Privilegiar gestos que satisfazem o momento, geralmente propiciam insatisfações posteriores.

Permutar o olhar franzido pelo sorriso generoso. Dosar os sentimentos, equilibrando a capacidade de censura com a postura da compreensão. Admitir o tempo do outro, entendendo que não são igualitárias as necessidades. Até os fluídos corporais exalam aroma de paz quando a conduta está sedimentada em fraternidade. Sou réu confesso.


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Mensagens sobre os textos podem ser enviadas ao autor no email eduardojjfares@gmail.com

 



Eduardo Fares
MG



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