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22/07/2006
Ano 9 -
Número 486

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Enéas Athanázio
QUINTANA EM EMBALAGEM DE LUXO
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Para comemorar o centenário de nascimento do poeta Mário Quintana, que
ocorre a 30 de julho, a Confraria dos Bibliófilos do Brasil (CBB), com
sede em Brasília, publicou o volume “Mário Quintana – Cem Poemas”, em
tiragem limitada para associados e outros interessados. Em tamanho grande,
com páginas soltas e recolhido a uma caixa, o livro é uma obra de arte
pela forma e pelo conteúdo. Tem apresentação de Maria da Glória Bordini,
coordenadora do acervo literário do poeta, e ilustrações de Milan Dusek,
um dos maiores artistas plásticos do país, nem sempre divulgado em face de
seu temperamento arredio. Este é o 17o. lançamento da Confraria, da qual
sou dos sócios mais antigos, que já se firmou no reconhecimento geral pela
beleza gráfica, qualidade do conteúdo e esmero na confecção de suas obras,
em nada perdendo para entidades congêneres estrangeiras. Além de
constituir merecida homenagem ao grande poeta, é um livro agradável ao
tato e à vista, valorizando a poemática nele contida.
“Sua poesia, - afirmou a apresentadora sobre Quintana, - ao contrário das
lendas que cercam sua memória – o poeta-menino, o simpático avozinho –
busca mais a profundeza, os desvãos e sombras da existência solitária que
no fundo é a de todos.” Acentua ela um ponto que me parece fundamental em
sua poesia: “as imagens construídas a partir de associações
inesperadas...” E de fato, quem quer que leia Quintana se surpreende e até
se espanta com os caminhos singrados pelos versos, tantas vezes trilhando
o inesperado e evidenciando a genial criatividade do poeta. Exemplo do que
digo: “A primeira vez que me assassinaram/ Perdi um jeito de sorrir que
tinha.../ Depois, de cada vez que me mataram/ Foram levando qualquer coisa
minha...” Não foi sem razão que ele próprio denominou um de seus livros
“Baú de Espantos”, confessando também se espantar com o que havia dentro
dele. Como escreveu Affonso Romano, “ele vai dizendo coisas líricas e
terríveis como essa.” Segundo o mesmo crítico, Quintana “tinha esse ar
desprotegido de pinto molhado na chuva, a quem as pessoas desejam
proteger.” E desfia uma série de pequenas histórias sobre ele que
constituem verdadeiro folclore.
Os poemas contidos no livro são o resultado de uma criteriosa seleção,
procurando abranger todas as fases da produção do poeta e fornecer uma
visão abrangente de sua obra. Entre eles estão alguns de seus versos mais
conhecidos, aqueles que caíram no gosto dos leitores e se difundiram de
boca em boca. Poemas como “As mãos de meu pai”, “Bucólica”, “Dorme
ruazinha”, “Surpresas” e “Vidas” estão entre eles e me parecem alguns dos
altos momentos do poeta. Os poemas foram colhidos em diversos livros do
autor.
Conheci Mário Quintana em Florianópolis, por ocasião de um evento
literário ocorrido na UFSC. Troquei com ele umas poucas palavras, mas,
quando a conversa engrenava, surgiram os donos da terra, os mesmos de
sempre, e o seqüestraram para um recanto só deles.
(Confraria dos Bibliófilos do Brasil – Caixa Postal 8 6 3 1
CEP 70312-970 - Brasília – DF).
(22 de julho/2006)
CooJornal no 486
Enéas Athanázio é escritor
e.atha@terra.com.br
Florianópolis - SC
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