10/06/2011
Ano 14 - Número 739

ARQUIVO
FÁTIMA DE LAGUNA






Fátima de Laguna
em Expressão Poética

 

Maria de Fátima Barreto Michels



Tal qual Irene
 

Não sei dizer a origem do apelido pelo qual era chamada. Codinome imposto que ela odiava, mas a Pandorga andava sempre com um vestidinho de tecido bem fino, cuja saia franzida, os ventos nordeste ou de sul, sempre levantavam.

Impropérios eram ditos a todos quantos a importunavam, caso insistissem no apelido, o que era comum, nas suas viagens etílicas pela cidade. Revisitava diariamente as ruas, onde na juventude fizera muitos favores, ao estilo de Maria, a de Magdala.

Um dia, ou melhor, uma noite, ela andava pelo cais do centro histórico, ali pelo Mercado Público e foi mirar-se nas águas. Quem sabe, tal qual Ismália, a de Alphonsus,

Edite descobrira uma lua no mar e fora até lá, voando naquela leveza própria das pipas.

Aconteceu o inesperado, um peixe-rei encantou-se com a sua rabiola, saltou e vapt!

A pequena criatura afogava-se na Lagoa Santo Antonio dos Anjos da Laguna!

Usando túnica e capucho de cor marrom, caminhando sobre as águas, aquele moço bonito, o Antônio Fernando, que pregava aos peixes, percebeu tudo. Justamente ele, interrompeu seu sermão, correu e amparou a Pandorga em seus braços. Depressa a levou para uma nuvem bem alta, até que ela se refez.

Edite foi finalmente ter seu lugar de honra, naquela mesa. Lá, onde felizes são os convidados. E assim, tipo o jeito que Irene, a de Bandeira, chegando ao andar de cima, a Pandorga foi logo entrando e dizendo:

- Licença, meu santo!

“E São Pedro bonachão:”

- Entra, Edite!
  “Você não precisa pedir licença”



(10 de junho/2011)
CooJornal no 739


Maria de Fátima Barreto Michels,
escritora e fotógrafa
Laguna, SC
fbarreto@bizz.com.br
http://www.riototal.com.br/expressao-poetica/fatima_laguna.htm
 
Direitos Reservados