23/09/2006
Ano 10 - Número 495

ARQUIVO
FÁTIMA DE LAGUNA

 

Maria de Fátima Barreto Michels

 

 CRECHES : Quem LUCRA com elas?
 

 

A creche Padre Augustinho, que atende a cerca de noventa crianças, nasceu da iniciativa da comunidade e acaba de completar 21 anos. O exercício da autogestão nessas duas décadas foi realmente importante como vivência da cidadania para os adultos porque encaminhar, sugerir iniciativas, decidir e efetivar as práticas referentes à vida, é assinar o roteiro da própria história.

Com a incumbência de dirigir a casa, a professora Francisca Calazans com uma equipe de voluntários e mais os funcionários, o faz com determinação, amor e entusiasmo.

As primeiras creches, fossem as comunitárias dos bairros de baixa renda, as particulares, ou aquelas mantidas por empresas para suas funcionárias, nasceram juntas, todas, com a ida das mulheres para o mercado de trabalho. Se para a clientela que pode pagar caras mensalidades, as condições nas creches particulares se assemelham àquelas que as crianças têm em casa, as creches gratuitas representam o melhor em termos de segurança, higiene, alimentação, recreação e repouso que essas crianças podem usufruir, enquanto suas mães trabalham.

Quando paramos para pensar sobre o sentido da existência das creches, e, considerando que as populações humanas formam o tecido social, entendemos que há que se facilitar a respiração deste tecido, justamente onde ele se encontra mais delgado, mais sujeito a romper-se.
Os centros de educação infantil, a exemplo da creche Padre Augustinho em Laguna, são de grande valia para que nossas crianças descubram que o amor fraterno também se aprende e até na escola. Em qualquer cidade, quando os bairros de população de baixa renda são incentivados para as realizações no campo educacional, é certo que o benefício virá para todos.

Os canais que conduzem à qualidade de vida são exatamente a educação, a informação, o conhecimento, a cultura. Inúmeras pessoas, gentes de todas as regiões, religiões e camadas sociais da cidade de Laguna, realizam trabalhos voluntários e ou beneficentes. Quanto mais unidos, informados e solidários estivermos em nossas cidades, mais fortes seremos para frear os malefícios destes tempos tão violentos que o mundo atravessa. As creches, interessam a todos nós, porque os benefícios que trarão à vida daquelas crianças, nos atingem.
Lucraremos todos, em termos de vida digna.
A ausência das creches diminui grandemente as opções educacionais das famílias de baixa renda e isto também prejudica a todos nós.
 

 
(23 de setembro/2006)
CooJornal no 495


Maria de Fátima Barreto Michels,
escritora
Laguna, SC
fbarreto@bizz.com.br