O Núcleo de Estudos Açorianos da Universidade Federal de Santa Catarina,
criado para justamente resgatar a cultura açoriana, escolheu para
realizar neste ano o décimo terceiro AÇOR, a cidade de Laguna. A festa,
que a cada ano é realizada em um município de cultura e tradições com
raízes açorianas, ocorrerá de 17 a 19 do corrente.
O troféu Ilha das Flores sempre destinado a um artista plástico, vai
homenagear desta vez o artista carinhosamente chamado de Chachá, por
quem o conhece pessoalmente ou através de sua obra.
A pintura de Richard Calil Bulos não segue estilo ou escola, é ele
considerado um naif, a obra deste artista não é somente decorativa mas
sobretudo é a reportagem de um tempo e de um tipo. Se nos detivermos a
estudar suas cenas veremos personagens que geralmente estarão com os
rostos voltados para as águas, fontes de alimento e sobrevivência.
Homens aliados comungando com seus grupos o enfrentamento do mar são os
que povoam as criações do artista. Os implementos da pesca, a
embarcação, os balaios vazios, as habitações, as condições do sujeito
pintado, são a crônica imagética de tudo o que o pintor capta,
observando a vida e o espaço do pescador artesanal, na região de Laguna
ao litoral sul de Santa Catarina.
Richard fez exposições e tem suas telas espalhadas por Santa Catarina,
pelo Brasil e fora do país. Inconfundível no traço, Chachá sempre
manteve fidelidade a sua temática e seus modelos, ou seja o cotidiano
dos pescadores e suas famílias.
Richard Calil Bulos nasceu a 6 de outubro de 1935 na cidade do Rio de
Janeiro e vive em Laguna –Santa Catarina desde os três anos de idade.
Desde criança mostrou interesse pela comunicação e o desenho nos gibis
onde criava textos e os ilustrava. Ainda recentemente Richard produzia
de forma artesanal e independente seus jornais, onde deixava muito
claras as reivindicações do cidadão politizado que é, em charges e
legendas plenas de humor e sátira. Richard, sempre marcou forte presença
com a originalidade do seu jornalismo.
As imagens produzidas geralmente em acrílico sobre tela, remetem a
poética de um peculiar universo social, ao modus vivendi de um cidadão
em ligação direta com as águas oceânicas e lacustres que o circundam. O
conjunto da obra richardiana é carregado de uma função onde a estética
sai de seus limites e invade áreas como a Geografia, Economia, Ecologia,
onde um colorido acervo sinaliza para uma Educação de urgências em e, a
favor da vida, não apenas do sujeito pescador mas a vida que atinge a
todos nós, que se encadeia. Vida que vem se esgotando em sua
fragilidade, na agressão e desprezo ambientais que vem sofrendo.
Fiz ao artista uns versos assim:
Oh gentes do mar, de rios e lagoas,
lançai vossas redes, irmãos pescadores.
Herdeiros de águas juradas de morte,
que vença o balé de homens e botos.
Netuno, trazei pincéis multicores, trazei nas marés, Chachás Crusoés!

Obra em acrílico sobre tela de Richard Calil Bulos
Medidas 0,70 x 0,50
Fotos – Fátima de Laguna
(11 de novembro/2006)
CooJornal
no 502