Faz tempo não entro numa
sala de cinema. Para falar a verdade meu jejum foi quebrado com o
“código da vinci” o que não chegou a encantar-me, exatamente. Nossa
cidade possui um prédio onde já se projetou muita fita, e para as
sessões dominicais, eram lotados ônibus nas cidades vizinhas para virem
assistir a famosas produções de Hollywood bem como as ingênuas produções
nacionais de há quarenta e tantos anos que o Cine Mussi projetava.
Daquela que era considerada palaciana construção para a época, se saía
muitas vezes com os olhos mareados quando ao final da história, o casal
que se amava imensamente, era separado pelo destino.
Era lá no escurinho do cinema que nas poltronas, mocinhos e mocinhas
também confessavam suas paixões em prolongados beijos, manifestações que
naqueles tempos não eram feitas à luz do sol, em praça pública. Pelo
menos aqui na Laguna, onde ainda uma elite cultural e política fazia
pose e zelava pelos bons costumes. Apesar dessa moral vigente, eu ainda
criança, ouvia dizer que fulana tinha um “filho natural” com sicrano ou
beltrano. Concluía na minha imaginação, que se estava comentando dos
homens casados que faziam filhos fora do casamento.
Na verdade a expressão “filho natural” confundia minha cabeça. Natural
para mim era justamente a coisa mais próxima da legitimidade.
Com a chegada do aparelho de vídeo tive minha fase de copiar filmes.
Gravava direto da TV, gravava de um vídeo para outro, até que me
aborreci ao descobrir que tais fitas eram tomadas por fungos.
“Feios, sujos e malvados” do italiano Scola, “sonhos” de Kurosawa, “o
auto da compadecida”, de Guel Arraes, “frida” de Julie Taymor, “o
porteiro da meia noite” de Liliana Cavani, e muita coisa fantástica
inclusive do passional Almodóvar, eu vi . Outro dia, na TV,causou-me
grande entusiasmo o filme do brasileiro Karim Aïnouz, onde o ator Lázaro
Ramos comprova ser hoje o grande talento , do cinema nacional. O filme
sobre madame satã foi uma obra construída com arte, técnica, zelo, e
talento.
Lázaro Ramos apaixona o espectador com sua impecável interpretação.
Neste ano de 2006 voltei a interessar-me sobre cinema.
No início do ano fui convidada a ir ver as filmagens que Mara Salla
fazia baseada em conto da escritora catarinense Urda Klueger.
Fiquei muito empolgada e comecei a ler o dicionário de cinema que havia
comprado.
Comecei a ler os artigos do escritor Francisco Carlos Lopes.
Apesar de não ter visto a fita, foi de Francisco Carlos Lopes o melhor
artigo que li sobre o polêmico "o segredo de brokeback mountain" no site
Verdes Trigos.
Estou lendo o livro sobre os 30 anos do festival de Gramado. Adquiri
“Alma Açoriana” de Penna Filho e as obras que Sylvio Back colocou em DVD
no mercado. Ambos são cineastas catarinenses, premiados.
Na verdade, ainda não tive tempo de ver nenhuma dessas fitas.
Ontem, fiquei muito feliz quando recebi da cineasta Mara Salla, o
convite para o lançamento do filme, “por causa do papai noel” que já
obteve premiações em vários festivais.
É natal e um bom filme, um artigo, ensaio, crônica ou resenha bem
escritos, uma peça teatral ou o coral Santo Antonio cantando pelas ruas
lagunenses são bons motivadores da alegria.
Na última sexta-feira tivemos o prazer de assistir o Grupo Terra de
teatro, que fundado em 2002 e sob a direção de Jairo Barcelos, inaugurou
o auditório “João da Silva Barbosa” aqui em Laguna. Foram apresentados
dois esquetes com vários atores, havendo também ótima atuação de dois
jovens que trabalharam interessante texto poético-filosófico de própria
autoria.
Tendo vários amigos escritores e outros poetas que gostam do tema
natividade, já comecei a receber livros de presente. De autoria deles
mesmos e ou dos amigos que eles desejam divulgar. Uma delícia estas
“trocas de figurinhas” aliás coisa que invariavelmente, fazia a meninada
aos domingos, à saída da matinê. Todos querendo trocar as figurinhas
duplicadas por uma novidade...

Ilustração – Aquarela de Marc Barreto Bogo
Foto - Fátima de Laguna
(23 de dezembro/2006)
CooJornal
no 508