10/03/2007
Ano 10 - Número 519

ARQUIVO
FÁTIMA DE LAGUNA

 

Maria de Fátima Barreto Michels



Elas também voam


Foto de Fátima de Laguna

No último final de semana, realizou-se aqui em Laguna-SC uma competição de surf. Observando um rapaz viajando longo pedaço sobre uma onda, manobrando toda a musculatura corpórea de pé sobre a prancha, avaliei o bem estar e a satisfação que o meio líquido deveria estar proporcionando àquele organismo.

Graduei-me em Educação Física e durante as aulas de natação, de ginástica olímpica, rítmica ou atletismo percebia o corpo, em boa parte do tempo, precisando estar em comunhão íntima com a mente, para que determinado movimento ocorresse com a devida precisão no instante exato. A exigência da circulação e oxigenação unirem-se harmonicamente ao ato de pensar a ação a ser efetivada, é um dos segredos para nos “recarregar as pilhas”. Reside aí, talvez, um dos motivos da insistência que fazem os médicos para que combatamos a depressão oriunda do stress, com exercícios corporais e esportes.

Numa conversa informal com um jovem historiador que também pratica o surf como opção para manter-se em forma e aliviar o stress, descobri que sua dissertação de mestrado (em fase de conclusão) é exatamente sobre esse esporte.

O mestrando Roberto Brasil Vieira, na linha de pesquisa: Relações de Poder e Subjetividades, faz um estudo sobre o surf em Florianópolis.

Estive lendo o trabalho do mestrando que se exercita no surf e gostei muito, justamente porque ele focaliza a entrada das meninas numa prática esportiva que começou com os rapazes e assim ficou por muito tempo.

Um dia, elas resolveram sair da platéia e entrar na água para pegar uma onda.

Por telefone conversei com a lagunense Soraia Rocha, bi-campeã mundial de bodyboard. Soraia está casada e já tem dois filhos pequenos que requerem bastante sua presença. A atleta falou com entusiasmo do esporte do qual revelou, jamais se afastará, embora não esteja competindo no momento.

Tive o prazer de entrevistar ao vivo aqui na praia do Mar Grosso em Laguna, neste Dia Internacional da Mulher, outra lagunense famosa como bodyboarder. Esta, que continua competindo e fundou em 2004 a Associação Desportiva Brasileira Feminina de Bodyboard, trata-se de Juliana Pacheco.

Através da ADBFB, com o apoio e incentivos sempre presentes da Prefeitura Municipal de Laguna, Juliana promoverá, no início de abril de 2007, a Segunda Etapa do Circuito Brasileiro Feminino de Bodyboard, na praia do Mar Grosso.

No ano passado a vencedora do evento foi Raquel Freire, surfista profissional, também de Laguna. A competição ganhou bela reportagem em SPORTS GIRLS revista de circulação nacional e encontrada à venda nos aeroportos internacionais, possuindo também boa repercussão nos leitores em Portugal, aonde Juliana vai seguidamente competir. O próximo grande desafio de Juliana Pacheco será em julho, no Chile, já que na condição de promotora do circuito brasileiro ela não pode competir.

A mulher brasileira vem mostrando sua presença vitoriosa em determinadas modalidades esportivas. Isto contribui para que os demais países do planeta aumentem o respeito pela nossa competência como nação.

Se num oito de março há 150 anos, 129 tecelãs nova-iorquinas morreram queimadas presas numa fábrica por reivindicarem seus direitos, percebemos que as meninas hoje continuam firmes ocupando lugares ao sol e buscando os direitos civis que lhes pertencem. É óbvio que o mar nasceu para todos e navegar, sempre será preciso. E se for possível fazê-lo sobre uma prancha, aí se transforma em puro deleite. É prática saudável por excelência o contato com o iodo, o oxigênio que as águas atlânticas do mar lagunense oferecem.

Parabéns às mulheres que fazem acrobacias com suas pranchas voadoras. São mesmo fantásticas! Parabéns a todas as nossas irmãs do planeta.
 

 
(10 de março/2007)
CooJornal no 519


Maria de Fátima Barreto Michels,
escritora e fotógrafa
Laguna, SC
fbarreto@bizz.com.br