
14/04/2007
Ano 10 -
Número 524
ARQUIVO
FÁTIMA DE LAGUNA |

Eu sou de origem cabocla (raça que acabo de catalogar) e o Henri Sobel
de origem judaica. Sou católica sem título e ele, um rabino. Li e vi na
TV algumas coisas sobre o incidente das gravatas. No Blog do Gerald,
também há opiniões que os leitores escreveram a partir do texto de
Gerald Thomas.
Sempre que alguém comete um ato equivocado, um delito ou mesmo um crime,
penso que poderia ser eu a infratora, a ré. E para nós nesta aldeia
global, há os réus que são considerados heróis. Há controvérsias.
Caboclos ou judeus, em tese, todos fomos feitos de um mesmo barro.
Fica a critério dos juízes lá em Palm Beach o caso de Sobel. Em cada um
de nós, uma sentença.
Lá no blog mencionado, uma tal ANA escreveu assim:
“conforme amigo meu, o bem, anda mal”. Aninha, e você anda com gente
que, alem do bom humor, analisa os tempos que vivenciamos. Não é de hoje
que o bem anda mal.
Um jornalista a quem respeito e por isto leio diariamente aqui em Santa
Catarina, escreveu que quase ninguém tinha moral para julgar Sobel.
Escrevi então ao Raul Sartori e disse-lhe que talvez se referisse ao
mundo VIP, pois os 90% mencionados por ele, certamente não incluíam os
trabalhadores de salário mínimo e milhares de pobres deste país.
Cara Ana, o dito e tido como BEM, já anda vacilando há tempo, por todos
os países e lugares do planeta.
Uma coisa é certa, quem estuda mais, quem lidera mais, tem obrigação de
renunciar mais as tentações. Justamente para apontar caminhos à massa
que não teve as mesmas oportunidades para estudar e ou chegar a cargos
importantes.
A sociedade entretanto como organismo vivo que vejo, está em constante
processo de construção-des-construção-re-construção...
Somos uma estrutura que, alternando lacerações com cicatrizes nos
reformulamos todo o tempo.
De vez em quando há um alguém na multidão que nos surpreende e quem
sabe, surpreenda a si próprio...
Se o rabino estava sob efeito de uma medicação infeliz, não sabemos.
Com relação à cleptomania lembrei agora de um apresentador da TV
Bandeirantes chamado BOLINHA (Édson Curi que partiu desta vida há quase
uma década), muito brincalhão ao fazer os reclames de um certo
medicamento dizia sempre:
“Hemorróidas dá em quem tem!”
Pois é, penso que qualquer mal pode acometer qualquer um.
Com relação ao texto de Gerald Thomas, me fez lembrar aquele ditado:
“Mais vale um amigo na praça do que dinheiro no banco” .
Thomas defendeu seu amigo.
Amizade é coisa séria.
Valoroso sentimento.
Foto de Fátima de Laguna
(14 de abril/2007)
CooJornal
no 524
Maria de Fátima Barreto Michels,
escritora e fotógrafa
Laguna, SC
fbarreto@bizz.com.br
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