1º/02/2016
Ano 19 - Número 970


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ARQUIVO
FLÁVIO BARRETO

Flávio Barreto


A cigarra e a formiga - uma visão diferente

Conhecem todos a famosa fábula de La Fontaine sobre a cigarra e a formiga, onde a “trabalhadora formiguinha” trabalha todo o verão e a “preguiçosa cigarra” apenas canta. Depois no inverno vai pedir comida. A resposta amarga da formiga à cigarra teria sido: você não cantou, pois agora dance. Várias adaptações já foram feitas, mas esta semana, ante centenas de formigas que invadiram meu apartamento, acabei concluindo que o escritor francês estava equivocado.

As formigas invadem nossa mesa descaradamente e nem fogem quando chegamos, como por exemplo, o fazem as baratas ou as moscas. Sabe-se lá onde andaram estas formigas, com aquelas patinhas sujas, no lixo e em lugares tão nojentos que nem vou mencionar. Pois assim mesmo sobem no nosso pão, no nosso açúcar e muitas vezes apenas damos uma batidinha para tirá-las dali e continuamos comendo, como se fossem asseadas. Santo erro. São umas sujinhas desavergonhadas.

Outro defeito sério, é que talvez nem fujam porque pensam que é tudo delas, que invasores somos nós, tanto assim que se dermos chance nos atacam e mordem. É, elas mordem-nos como se tivessem toda razão de estar em nossa casa.

E as cigarras, fantásticos bichinhos que nunca, nunca me incomodaram e me trazem até boas recordações, pois lembro que quando as cigarras começavam a cantar eu sabia que estava chegando o verão, o Natal e a época em que meus pais me deixariam entrar no mar.

Seu cantar é muito gostoso de ouvir, mais ainda quando se sabe que estão sincronizando no seu cantar, o tempo e o local para o acasalamento. Quem teve oportunidade de morar em cidades do interior com maior abundância de árvores, onde elas “namoram” e acasalam, teve maior chance de ouvi-las e com certeza nunca esqueceu seu cantar.

Acho um absurdo tentarmos mostrar as crianças que a “formiguinha” é trabalhadora, inclusive contando que elas guardam grãos de trigo, quando na verdade, guardam restos de lixo, pedaços de asa de barata, casca de fruta e tudo quanto é porcaria, cortando folhas verdes da nossa horta sem nunca terem plantado. De outro lado colocando a alegre cigarra, como uma preguiçosa e despreocupada, quando o máximo que faz é cantar e viver intensamente com competência seu verão.

Decididamente, La Fontaine estava errado e nem tentem justificar que sendo ele filho de um guarda florestal vivia as coisas do campo e teria maior sensibilidade, pois também sou filho de lavrador e sempre soube que as formigas incomodaram muitíssimo mais meu pai do que as cigarras. Sem dúvida, maravilhosas são as cigarras e quem deve cair fora são estas formigas sujas.


 Comentários sobre o texto podem ser enviados, diretamente, a flavio@martinsbarreto.com.br

Texto publicado anteriormente no CooJornal em 03/06/2011.

(1º de fevereiro/2016)
CooJornal nº 970


Flávio Barreto - Economista e advogado.
Mora e atua como consultor jurídico em Florianópolis, onde colabora com artigos em jornais.
É membro da Sociedade dos Poetas Advogados de Santa Catarina, entidade ligada à OAB/SC.



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