01/07/2017
Ano 20 - Número 1.035

FREI BETTO
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Frei Betto



O DEUS DO VERÍSSIMO

Frei Betto - CooJoornal, Revista Rio Total



Em sua crônica de domingo, 7/5, em O Globo, Veríssimo diz que escolheu como Deus, no qual racionalmente se pode acreditar, aquele que se arrependeu de sua obra, admitiu o seu erro, levantou a poeira e deu a volta por cima para começar de novo – o Deus do Dilúvio, “Deus das dúvidas e do segundo pensamento. Um Deus com quem, decididamente, se pode conversar.”

Veríssimo não necessitava ir tão longe para encontrar o Deus multifacetado do Antigo Testamento. Bastaria ir àquele que revelou, em sua humanidade, a face real de Deus – Jesus de Nazaré.

Ali está o Deus que xinga o governador de “raposa” e os fariseus de “raça de víboras e sepulcros caiados”; se irrita com Pedro, a ponto de chamá-lo de “satanás”; se equivoca na escolha de Judas como apóstolo; passa à família a impressão de que enlouqueceu; faz o primeiro milagre, não para salvar uma pessoa, e sim para a festa não acabar, ao transformar água em vinho; se revela pela primeira vez como Messias a uma mulher; chora por que o amigo morreu; e deixa os abastados numa saia justa ao afirmar que é mais fácil um camelo passar no fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus.

Humano assim como foi Jesus, ele só podia mesmo ser Deus, afirma Leonardo Boff.




(1º de julho, 2017)

CooJornal nº 1.035

Frei Betto é escritor.
Autor do romance policial “Hotel Brasil” (Rocco); "Um Deus muito humano – um novo olhar sobre Jesus” (Fontanar), "Um homem chamado Jesus" (Rocco), "Oito vias para ser feliz” (Planeta), “Alfabetto – Autobiografia Escolar” (Ática) e “A obra do Artista – uma visão holística do Universo” (José Olympio), entre outros livros.
twitter:@freibetto
http://www.freibetto.org/



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