
18/11/2006
Ano 10 -
Número 503

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Geraldo Batista
a
odisséia do chip
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Vou começar como os poetas nordestinos de literatura de cordel, pedindo
inspiração a Nossa Senhora das Dores e ao meu Padim Padre Cícero para vos
narrar a odisséia do chip da Tim.
A Tim me cedeu, em comodato, um aparelho celular GSM. O bicho tem um tal
de chip. Toda vez que se quer ligar o aparelho é preciso digitar uma
senha. Para não me esquecer da senha, bolei uma composta da data de
nascimento da tia da avó de Napoleão e do número do túmulo de Edite Piaf.
Não dá para esquecer.
Acontece, que minha neta Karolina resolveu ligar o aparelho e se esqueceu
da combinação da tia da avó de Napoleão x túmulo de Edite Piaf. Deve ter
tentado várias vezes e o bicho travou de. O tal do chip desmunhecou de
vez. Nem Denilson, meu assessor para essas armadilhas cibernéticas,
conseguiu ligar o aparelho. Então, telefonei para a Tim e mandaram que eu
procurasse qualquer loja da empresa. Fui até a mais próxima. Um rapaz
bastante atencioso me disse que o problema seria resolvido em instantes.
Entregou-me uma ficha e fui atendido rapidamente. A jovem do balcão pediu
minha identidade e o original da nota fiscal. Quando ela olhou para nota,
falou: “Infelizmente, a Tim só vende um novo chip para pessoas físicas.
Pessoa jurídica só através do 0800.” Em outras palavras, dinheiro de
pessoa jurídica não voga na Tim.
Liguei para o 0800 e passei 15 minutos ouvindo todo tipo de lengalenga:
“Sua ligação é muito importante. Compre o aparelho tal, com ele você pode
tirar fotos, enviar mensagens, assistir programas de TV, ouvir piadas,
etc.” E eu que só queria um simples chip, fiquei a ver navios. Pedi ajuda
ao rapaz da loja e ele ligou para o 0800. Na terceira tentativa,
conseguiu. Do outro lado da linha a moça me disse: ”Infelizmente, como o
seu celular não é TDMA, não posso fazer nada, pois a central GSM está
inoperante.” Lembrei-me que inoperante significa: que não opera, ineficaz.
É a cara da ineficácia da Tim.
Uma simpática cliente que assistia meu penar me disse: “Meu senhor, vá ao
Alecrim, procure o pessoal que compra celular roubado que em instantes
eles botam seu celular no ar.” Mas cadê coragem. Já pensaram, se justo no
momento que eu estou lá, a polícia vai dar uma batida e me prende como
receptador do meu próprio celular?
Voltei para a jovem do balcão que me aconselhou falar o consultor de minha
empresa, para ele providenciar um novo chip. Telefonei para Fernando
Vieira, que havia me atendido quando fiz o novo contrato com a Tim. Então,
ele me alertou: “O senhor vai passar por uma burocracia absurda. Faça o
seguinte: leve para o escritório do Administrativo, na Hermes da Fonseca,
cópias dos seguintes documentos: Contrato Social; CNPJ; Identidade; CPF;
relação fornecida pela Tim, de todos os telefones da sua empresa; nota
fiscal e comprovante de endereço. (No Contrato Social e na nota fiscal
contém o endereço, mas foi exigida uma cópia de uma conta para provar que
nem o contrato nem a nota fiscal estavam enganados quanto ao meu
endereço.) Ufa!
Em chegando ao Administrativo, fui atendido por um atencioso vigilante,
Antônio Carlos da Silva, que pegou a papelada em foi mostrar a alguém, lá
dentro. Quando voltou me disse: “Infelizmente, disseram que não é aqui.
Mas eu vou resolver o problema do senhor.” Ligou para Recife, do seu
próprio celular, e me colocou em contacto com Cideli Costa, que me falou:
“Vou providenciar um chip o mais rápido possível, me informe o número de
sua linha, o nome e o endereço de sua empresa. Não é necessário cópia de
nenhum documento. O novo chip vai ser entregue no seu escritório.” (O chip
chegou, sem ônus, ao meu escritório 72 horas depois.)
Conclusão: o vigilante da empresa privada é muito mais eficiente que
aquele magote de moças bonitas, sorridentes, de olhos bem pintados e de
cabelos impecáveis, que enfeitam os balcões das lojas da TIM. Graças a
Deus existe um Antônio Carlos da Silva para desemperrar a “burrocracia” da
TIM. Amém. E, pedindo a proteção de São Francisco de Canindé, mando um
abraço para meus leitores daqui de riba da Cordilheira dos Andes, de onde
escrevi esta odisséia.
(18 de novembro/2006)
CooJornal
no 503
Geraldo Batista
bacharel e licenciado em História, professor e escritor
Natal, RN
geraldo@concursos-rn.com.br
geraldo@talento-rn.com.br
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