
25/11/2006
Ano 10 -
Número 504

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Geraldo Batista
Josefina
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Do alto de sua beleza e de elegância nem sequer olhou para
mim.
(Geraldo Batista)
Todo santo dia, na hora dos primeiros clarões da madrugada, saio para
pedalar por aí a fora. Geralmente, vou até a praia de Pirangi. Pelo
caminho, encontro os primeiros madrugadores, malucos como eu, que largam a
cama às quatro e trinta da madrugada. São senhoras e senhores, “jovens” de
sessenta e mais anos, e moços e moças de pouca idade.
Uma delas, Aline, uma estudante de Geologia, que tem muita disposição para
correr a partir das cinco horas. Passa por mim todos os dias gritando:
“Bom dia, campeão!”
Plagiando Cascudo eu digo:
“É mentira, mas é gostoso”.
Na volta, encontro os colegiais nos pontos dos ônibus. A maioria já me
conhece, e muitas meninas me dão bons dias alegres, acenam ligeiramente e
ainda me gratificam com “um sorriso franco num rostinho encantador”.
Os rapazes, geralmente, são sisudos: parece que acordam com raiva do mundo
e de quem inventou o estudo e o trabalho. Raramente, respondem aos apelos
do meu bom-dia alto e sonoro. “Coisa de velho do interior”, me dizem suas
caras de espanto.
Não sei por que estou falando sobre tudo isso. Queria mesmo era fazer uma
crônica em homenagem a ELA. Quase diariamente, a vejo, em minhas andanças
de bicicleta. Todos os dias, encontro muitas jovens bonitas, mas ela é
muito mais especial. Tão especial que não pode ser comparada nem com as
meninas da Escola de Dona Noílde Ramalho, do Salesiano, do Colégio das
Neves, da Conceição, do CEI, de nenhum um outro colégio.
Seu porte elegante merece um parágrafo especial. Pernas perfeitas,
Quadris... Quadris, não; ancas. As feministas podem até não gostar, mas as
ancas dela são maravilhosas. Roliças, lindas. Sem nunca lhe ter passado a
mão, tenho certeza de que são firmes, duras. Um francês diria: “comme
il faut”.
Mesmo parecendo extremamente grosseiro e vulgar, me arrisco a dizer que
ela tem um belíssimo rabo. Cabelos castanho-claros perfeitos, pele limpa,
sem nenhuma mancha, macia, sedosa.
E os seios? Nunca reparei. Do ângulo em que a vejo, não deu para notar.
Mas, por trás daquela beleza toda, deve haver umas tetas para ninguém
botar defeito.
Ah, se vocês a vissem andando com eu a vejo. Que andar! Passadas largas,
pisando com a elegância de uma modelo tipo exportação, assim como nossa
Fernanda Tavares, desfilando e rebolando as cadeiras, jogando idéia de
jerico na cabeça da gente.
Nunca havia perguntado seu nome. Passo apressado e, certamente, ela não
iria responder. Em um sábado qualquer, pedalando sem pressa, resolvi parar
e perguntar pelo seu nome. Para desespero das feministas, ela tem dono.
Dono? E já é casada? Solteiríssima... E, pasmem, ainda donzela, coisa rara
nos dias de hoje. Mas tem dono, sim senhor.
Para iniciar a conversa, comecei elogiando a beleza da jovem, que olhou
para mim com certa indiferença. Não senti, por parte do dono, nenhum sinal
de ciúme; muito pelo contrário, até agradeceu os elogios. Em seguida,
disse:
- “Botei o nome dela de Josefina, em homenagem a Napoleão. Mesmo não sendo
de cor branca, nem cavalo, até ele gostaria desta potranca que, em breve,
será égua, para parir cavalos maravilhosos e perfeitos.”
A mal-agradecida nem ao menos relinchou para mim.
(25 de novembro/2006)
CooJornal
no 504
Geraldo Batista
bacharel e licenciado em História, professor e escritor
Natal, RN
geraldo@concursos-rn.com.br
geraldo@talento-rn.com.br
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