
30/12/2006
Ano 10 -
Número 509

ARQUIVO
GERALDO BATISTA |
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Geraldo Batista
“A Minha Aldeia”
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Um belo dia, o destino trouxe a Natal o rotariano Everton Jorge da Luz,
de Florianópolis. Dei a ele um exemplar de um dos meus livros. Quando
ele voltou para casa, mandou-me de presente dois livros. Um deles
chama-se “Minha Aldeia”, de Norma Bruno.
Confesso que quando recebi o livro tive uma surpresa e me perguntei:
Quem danado é Norma Bruno?
Como eu leio até anúncio de jornal, resolvi ler o livro dessa menina,
cuja foto na orelha direita me chamou a atenção pela beleza e
jovialidade. E não é que gostei, a partir da primeira página? É o tipo
do livro que a gente começa a ler e não quer mais largar.
Na página vinte me apaixonei pela menina que se trepava no caquizeiro e
ficava comendo caqui e olhando o mundo sem a preocupação com as loucuras
de hoje em dia. Depois fui apresentado a Vó de Laguna, uma figura ímpar,
meiga e maravilhosa como deve ser toda Bivó. Encantei-me com sua
filosofia de vida e suas tiradas impagáveis: “Se eu ficar em casa, a
morte sabe onde estou.” Emocionei-me “vendo” a borboleta na parede...
Lá pelas páginas 63 vou encontrar um ponto de vista muito parecido com o
meu: “... por que tudo o que dá prazer e alegria deve ser pecado?”
Aliás, eu ainda hoje acho que quem inventou essa história de pecado era
alguém mal resolvido ou coisa parecida. E Logo na página seguinte uma
ótima: “Ô historiazinha mais mal contada...”
Ainda no mesmo capítulo vou encontrar o mesmo gosto pelo cinema de boa
qualidade como Cinema Paradiso, O Carteiro e o Poeta, Casablanca, etc.
Eu acrescentaria Luzes da Cidade que já assisti inúmeras vezes, no
cinema e depois alugado a uma locadora.
Depois chegaria a hora de rir começando com os nomes dos pobres. Por
coincidência, durante 16 anos, fui responsável pelo Vestibular da UFRN e
vi inúmeros nomes de doer: Astrologórgio, Astrelegezebina, Astreleszélia
e Astrelesclepíades, todos irmãos. Nos caixas de supermercados vejo cada
nome de dá pena: Ariszebrina, Chuaszenerguer, Xavienira, e outros do
mesmo naipe. Mais adiante, Celina quase me mata de rir: “Aquilo é muito
bom como método anticoncepcional.” Continuei rindo. com “... aquilo era
mais seca que bacalhau de porta de venda.”
O capítulo “O que dá status a pobre” é impagável. “De quantos dias o
senhor precisa”? Numa prova de quem tem c... tem medo.
O livro de Norma Bruno só tem um defeito: é muito pequeno para o meu
gosto, deixou-me com uma vontade de quero mais. Trata-se de um texto
fácil, simples, sem a frescura de falso intelectual, que fala difícil
para os pobres mortais pensarem que o autor é inteligente, intelectual
do nível da Academia Brasileira de Letras onde tem muito escritor de faz
de conta.
Finalmente, eu diria que o livro de Norma Bruno é para se ler de uma
tirada só sem se precisar gastar bestunto para entender.
Gostei para mais da conta. E recomendo a quem gosta das coisas simples
como uma comidinha sem sofisticação, do tipo que chega à mesa fumegando
e despertando a gula de um monge de antigamente.
Por fim quero mandar um recado para a autora: “Eu queria ser um
cata-vento pra mudar de rumo” e poder ir bater um papo com você naquela
mesma janela onde você aparece faceira com ar de que convida a
conversar.
(30 de dezembro/2006)
CooJornal
no 509
Geraldo Batista
bacharel e licenciado em História, professor e escritor
Natal, RN
geraldo@concursos-rn.com.br
geraldo@talento-rn.com.br
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