
20/01/2007
Ano 10 -
Número 512

ARQUIVO
GERALDO BATISTA |
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Geraldo Batista
O lixo é um luxo
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Já escrevi várias vezes sobre o lixo. O homem, dito civilizado, é bem
mais selvagem do que os nossos índios encontrados aqui quando Cabral
inventou de descobrir o Brasil. Naquele tempo, nossas florestas eram
preservadas, nossos rios tinham água limpa, e assim por diante. Depois o
homem começou a inventar novidades. Vieram as fórmulas químicas, o
plástico, as indústrias e ... deu no que deu. Quem de nós, hoje, teria
coragem de chegar na margem de um rio, pegar água com as conchas das
mãos e beber? Será que ainda existe algum rio de águas puras no Brasil?
Talvez no interior da floresta amazônica.
Com o progresso, o lixo aumentou em proporções incontroláveis. Nos
supermercados, nas mercearias, em todas as lojas, o saco de plástico
tomou o lugar do saco de papel. Assim, o planeta terra virou um
gigantesco lixão de plástico. Fui informado de que a França proibiu a
embalagem de plástico. Certamente não será a solução definitiva, pois
para se produzir mais papel, inevitavelmente, teremos de derrubar mais
árvores.
Não há outro caminho para enfrentar o problema do lixo a não ser a
reciclagem. Ou nós aprendemos que o lixo é uma riqueza ou vamos nos
afogar nele. As grandes cidades produzem milhões de toneladas de lixo
diariamente e tudo o que se joga fora pode ser reutilizado. Tudo passa
pela questão da verdadeira educação ambiental. Esse assunto deveria ser
exaustivamente ensinado e repetido nas escolas. A criança deve aprender,
logo cedo, que a vida no planeta terra depende de como sua geração vai
tratá-lo.
Em alguns condomínios, tanto em Natal como em outras cidades já se
começou a reciclar o lixo, embora essa reciclagem seja ainda muito
tímida e incompleta. No edifício onde eu moro, já se faz um trabalho
nesse sentido, quase todos colaboram. Ali, foi solicitado aos moradores
que embalassem em sacolas separadas, papel, plástico e metal. No meu
apartamento, se eu não fiscalizar, a coisa não funciona. Todos os dias
eu tenho que separar embalagens que são descartadas sem o devido
cuidado. O lixo orgânico, bastante volumoso, ainda não é reciclado, pelo
motivo de não ter, aparentemente, nenhum valor. Todo o lixo orgânico de
meu apartamento eu transformo em “dinheiro”, juntamente com as folhas do
quintal da minha casa, onde funciona meu escritório.
Há dias, coloquei em minha camionete quatro sacos grandes de folhas que
uma senhora acabara de botar em sua calçada. Ela perguntou para que eu
queria as folhas. Respondi: para fazer dinheiro. O senhor é doido? Não,
dizem que doido rasga, eu faço dinheiro. Ou melhor, minhas minhocas o
fazem, no fundo do meu quintal.
Vocês já imaginaram se todo o lixo orgânico das cidades fosse reciclado,
quantas toneladas de adubo de primeira qualidade seriam produzidas por
mês?
Há poucos dias, colhi dez quilos de macaxeira de uma cova só, adubada
com húmus de minhoca. Não é história de pescador não, mas colho cada
macaxeira deeeste tamanho, em uma faixa de terreno de um metro de
largura. Essa minha atividade, aparentemente, meio maluca, me dá um
prazer enorme e é uma excelente higiene mental.
Está na hora de você também começar a reciclar o lixo de sua casa, do
seu condomínio. Os catadores de lixo agradecem e a mãe natureza mais
ainda. Lembre-se que tudo o que você fizer nesse sentido, estará fazendo
por você mesmo e pela geração futura.
(20 de janeiro/2007)
CooJornal
no 512
Geraldo Batista
bacharel e licenciado em História, professor e escritor
Natal, RN
geraldo@concursos-rn.com.br
geraldo@talento-rn.com.br
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