
17/03/2007
Ano 10 -
Número 520

ARQUIVO
GERALDO BATISTA |
|
Geraldo Batista
O buraco nosso de cada dia
|
 |
O buraco do Metrô de São Paulo é um quase nada diante dos escândalos dos
quais o país toma conhecimento todos os dias. Todos eles são buracos no
nosso orçamento, na nossa consciência, na nossa moral. O buraco do Metrô
poderia ter sido evitado, sem precisar sacrificar as vítimas inocentes,
deixando famílias sem suas casas e o que é pior, expulsar idosos que
moraram ali há várias décadas. Vi na Televisão, uma das moradoras se
lamentando: “Estão dizendo que vão nos indenizar, mas quem vai devolver
meus vizinhos de mais de 40 anos? E as amigas para uma conversa nos
finais de tarde? Algumas traziam bolos, biscoito, uns doces para o café
que ia muito além de alimentar o corpo, fazia um bem enorme para o
espírito de todas nós. Até mesmo os endereços próximos para onde eu ia
sem receio fazer minhas pequenas compras. E o pãozinho quente que eu
trazia com ou sem dinheiro, pois aqui ainda existe a velha e tradicional
caderneta. Tudo isso dinheiro não paga.”
Somente agora, como estrago feito, resolveram pôr em funcionamento o
famoso Tatuzão que faz o serviço mais rápido e com toda segurança, pelo
menos na teoria. Fico imaginando o Metrô de Paris, construído com toda
segurança a partir do século 19, pois sua primeira linha foi inaugurada
em 19 de julho de 1900. Em seguida, foram inauguradas as linhas 2 e 6
para a Feira Mundial. Uma das linhas postas para funcionar no século 20
passa por baixo do rio Sena. Imaginem se fosse no Brasil o desastre que
poderia ter acontecido.
Meus caros e cotados leitores, quero dizer a vocês que minha preocupação
vai muito mais além. O maior buraco onde o Brasil está se metendo
chama-se violência, aliada à impunidade. A violência, praticada no
Congresso nacional pelos parlamentares corruptos em forma de desvio de
verbas, de superfaturamento, de recebimento de verbas para despesas
inventadas. Nada disso é punido e para completar nossa desgraça ainda há
eleitores de sobra para reeleger os bandidos de gravata. A coisa chegou
a tal ponto que um dos maiores bandidos do país (Marcola) ter dito que
não era tão criminoso assim, comparado aos deputados ladrões. “Eu apenas
estou dentro do esquema como os parlamentares.” Êta país sem rédeas.
Na qualidade de estudioso da História olho para trás e “vejo” o todo
poderoso Império Romano se desmoronando afundando na falta da moral e
dos bons costumes dos seus dirigentes. Os dirigentes do Império passavam
o dia se banqueteando, rodeados de bailarinas e de prostitutas. Quando
enchiam a pança, provocavam o vômito para começar tudo de novo.
Não vejo futuro para um país como o Brasil, onde os menores estão
mandando na base da violência impune e os nossos dirigentes não têm
coragem nem meios para dizer basta. Nos Estados Unidos e na Inglaterra
se um menor mata ou comete um crime grave, vai para a cadeia e pode ser
punido com prisão perpétua. Aqui o menor fica mangando do cidadão
honesto, obrigado a andar desarmado, pois arma neste país só quem pode
usar é a polícia e os bandidos, com a diferença que os últimos usam
armas bem mais poderosas.
Estava para terminar o artigo quando Zé das Cuias me interrompe para
perguntar:
- “Seu moço, o que danado está acontecendo como PT que vivia agitando
suas bandeiras em todas as greves, gritando pelo direito dos grevistas e
pela anistia dos dias parados e agora está querendo criar uma lei para
proibir as greves? Na época do governo Figueiredo, os professores faziam
greves, recebiam aumento e nenhum professor foi demitido. Agora, o PT me
vem com essa graça.”
Zé, fico muito à vontade para dar minha opinião, pois eu sempre ocupei
cargo comissionado e por isso não podia fazia greve. Mas sempre fui a
favor do direito de greve. Só me resta dizer: Quem te viu PT e quem te
vê. Ô povo sem coerência esses petistas, a começar por Lula que hoje é
um arremedo de petista.
(17 de março/2007)
CooJornal
no 520
Geraldo Batista
bacharel e licenciado em História, professor e escritor
Natal, RN
geraldo@concursos-rn.com.br
geraldo@talento-rn.com.br
|
|