19/05/2007
Ano 10 - Número 529


ARQUIVO
GERALDO BATISTA

 

Geraldo Batista

 

Um país nanico

 

Quando eu era criança, fui obrigado por uma professora a ler um livro intitulado “Porque me ufano do meu país”. Infelizmente, hoje nem Afonso Celso, ufanista e patriota teria coragem de dizer que se ufana do Brasil. O que eu estou sentindo mesmo é uma vergonha desgraçada. São tantas as causas de minha vergonha que não sei se vão caber aqui no espaço para mim reservado.

Os escândalos dos nossos parlamentares abafados por eles mesmos que são ao mesmo tempo réus e juízes. O aumento dos seus salários e das suas enormes verbas que somadas elevam seus proventos a muito mais de cem mil reais, enquanto o salário mínimo não chega aos quatrocentos reais. O salário congelado dos funcionários públicos que quando têm aumento é de 1% e quando anunciam esse monstruoso aumento eu solto um palavrão e mando o governo praquele lugar.
O descaso com nossa educação. Vivemos em um país onde o estudante pobre se não tiver a sorte de estudar num CEFET está condenado a morrer ignorante.

O presidente Lula, falastrão, bom de gogó, prometedor, fala para a platéia, mas na hora da ação, a história é muito diferente. Só os seus fanáticos seguidores acreditam em suas promessas. O tal do PAC, um plano para investir R$ 503,9 bilhões, não chegará a aplicar 50% do prometido.

O brasileiro vive numa insegurança que já está virando psicose. Antigamente quem morava em um edifício se sentia seguro, agora o governo resolveu nivelar por baixo. Todos devem viver apavorados para que não haja desigualdade. Parar num semáforo à noite é uma aventura para quem tem sangue frio. Cortar o sinal é muito mais seguro, mas a multa é pesada e gera acúmulo de pontos na carteira de habilitação. Em resumo, o cidadão ou é assaltado pelo bandido ou pelo governo.

Voar virou sinônimo de ansiedade. Será que o meu vôo vai sair no horário? Será que o avião não se chocará com outro devido ao apagão? Será que os senhores controladores estarão de bom humor e vão deixar nosso avião pousar quando sobrevoar o aeroporto do seu destino?

Hoje, (15 de maio, enquanto estou escrevendo este artigo) recebi mais uma notícia péssima para nosso Estado. A madrasta PETROBRAS que vive sugando o nosso solo, obtendo lucro de milhões e milhões de dólares resolveu que o Rio Grande do Norte não serve para fabricar PVC, do mesmo modo que não serviu para sediar uma refinaria que será instalada em Pernambuco para refinar o petróleo produzido aqui. E a nossa bancada federal assiste a tudo passivamente.

A maldade da PETROBRAS vai mais além. Quando o dólar sobe, o preço dos combustíveis sobe mais do que a moeda americana; quando o dólar cai, o preço dos combustíveis não toma nem conhecimento.

Vivemos num país que elege deputados do naipe de um Maluf e de um Clodovil, ambos eleitos com uma enxurrada de votos. O primeiro deveria estar na cadeia e o segundo costurando vestidos ao invés de falar mal das mulheres.

Meus contados leitores, por tudo isso eu sinto uma enorme vergonha de viver num país nanico.




(19 de maio/2007)
CooJornal no 529


Geraldo Batista
bacharel e licenciado em História, professor e escritor
Natal, RN
geraldo@concursos-rn.com.br
geraldo@talento-rn.com.br