02/06/2007
Ano 11 - Número 531


ARQUIVO
GERALDO BATISTA

 

Geraldo Batista

 

Abaixo a Polícia Federal II

 

Há alguns anos, (quatro anos provavelmente) escrevi o primeiro capítulo desta novela. Agora, depois de ouvir comentários de autoridades acusando a Polícia Federal de abusos, sinto-me na obrigação de retomar o assunto. O presidente Lula disse que iria mandar apurar os possíveis abusos da Polícia Federal. Jarbas Vasconcelos disse que a ação da Polícia Federal era espetaculosa. Não sei se ele queria dizer que é coisa de quem quer aparecer.

Se o senador pernambucano conhecesse o diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda, não tinha direito de dizer esta asneira. Este cidadão não gosta de aparecer, evita a Tv, foge dos fleches, só aparecendo em último caso. Mas, para os políticos e autoridades corruptas ele não passa de uma praga que deve ser combatida a todo custo. Se eles pudessem sairiam pelas ruas conduzindo cartazes ou quem sabe enchendo as cidades daqueles cartazes enormes de nome em inglês com os dizeres garrafais: “Abaixo a Polícia Federal!”

Repito o que já disse antes, a Polícia Federal tem a mania de prender corruptos, traficantes de drogas, contrabandistas, denunciar políticos e autoridades corruptas, incluindo ministro do STJ. Onde já se viu em plena democracia um cerceamento de liberdade dessas? Botar algemas em homens conhecidos em todas as rodas da alta sociedade? A PF deveria se contentar em prender ladrão de galinha, mulheres que roubam uma lata de leite nos supermercados, para matar a fome dos seus filhos desnutridos, e assim por diante. Afinal de contas, no século XVII, o Padre Antônio Vieira já dizia: “Nesta província quem rouba um carneiro é ladrão, quem rouba um milhão é barão”. Agora, vem a PF querendo mudar o rumo da história, ou melhor, tentando acabar com nossa cultura de desonestos contumazes.

É verdade que as TVs, os jornais e as revistas semanais têm dado uma espetacular cobertura aos feitos da nossa PF. No meu pobre entendimento, estão no caminho certo. Por que não noticiar, se o fato merece toda repercussão? Só porque os políticos têm dinheiro e prestígio e as autoridades estão protegidas pela toga? Se os criminosos fossem pobres, eles seriam os primeiros a aplaudir. De minha parte, eu acho é pouco, se a lei neste país é igual para todos, eles não deveriam nem sequer ter direito à prisão especial.

Durante a Operação Navalha, prenderam um tal de Zuleido, cuja empresa tem parentesco com Buda (Siddharta Gautama está puta da vida com Zuleido por ter botado o nome dele nessa enrascada toda) e construía pontes no Maranhão que ligava nada coisa coisas nenhuma. Esse indivíduo é suspeito a partir do nome.

O mais grave de tudo é que os ministros do STJ mandam soltar todos os bandidos, como fizeram agora, quando só ficaram presos durante 13 dias. (Os ministros podem até ter razão, mas o povo não está entendo nada, lugar de ladrão é na cadeia). Então, a solução é acabar de vez com a Polícia Federal e proclamar a seguinte lei: “Doravante é permitido roubar, fazer falcatruas, desviar verbas, receber favores das empreiteiras e outras safadezas mais”. Se não é permitido à Polícia Federal investigar e botar na cadeia os criminosos, então, a solução é seguir o conselho de Satanislaw Ponte Preta: “Ou restaura-se a moralidade ou locupletamos-nos todos.”

Vou bater na mesma tecla, nenhum país sério pode rescindir de uma polícia séria, e rigorosa sem medo de cara feia.



(02 de junho/2007)
CooJornal no 531


Geraldo Batista
bacharel e licenciado em História, professor e escritor
Natal, RN
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