16/06/2007
Ano 11 - Número 533


ARQUIVO
GERALDO BATISTA

 

Geraldo Batista

 

Fazenda Esperança

 

No último final de semana, um grupo de rotarianos do Natal Sul foi visitar a Fazenda Esperança a quem o nosso clube ajudou na aquisição de um maquinário para a instalação de uma pequena padaria para a fabricação de pães para o consumo da comunidade.

Creio que os leitores sabem o que é uma Fazenda Esperança. É uma instituição da igreja católica destinada à recuperação de jovens viciados em drogas químicas. Essas fazendas estão espalhadas pelo Brasil e por vários países do mundo. Em sua recente visita ao Brasil, o papa Bento visitou uma dessas Fazendas em São Paulo. Trata-se de um trabalho emocionante. Os jovens que procuram uma Fazenda da Esperança estão literalmente no fundo do poço. Cada um carrega uma história mais dolorosa do que outra. Ouvi o depoimento de uma desses jovens, já recuperado, hoje trabalhando como voluntário na Fazenda de Serra do Mel. “Fiz tudo de ruim que vocês possam imaginar. Quando a barra estava muito pesada em São Paulo, eu fugia para o Rio e de lá, fugia para Natal. Chegou um momento, que depois de “perder” pai, mãe e irmãos que me descartaram da família, em que eu disse para mim mesmo, agora vou apelar para a ignorância para apressar minha morte, pois eu não tenho mais interesse de viver desse modo e não vejo outra saída. Um dia, no auge do desespero, chorando muito, parei e resolvi pedir a Deus para me dar uma luz para eu sair do buraco. Voltando a Natal, me encontrei com um primo, antigo companheiro de consumo de drogas, que havia se recuperado. Ele me levou para a casa de apoio, em Natal, e assim vim parar aqui. Hoje, minha família me recebe de braços abertos. Nasci novamente para eles e para a sociedade.”

Para funcionar, uma Fazenda da Esperança precisa de muitos heróis, a começar pelos jovens que abandonam as drogas e passam a trabalhar para o seu sustento. As fazendas não recebem ajuda sistemática de nenhuma entidade, vivem da Providência Divina e o trabalho dos internos. A nossa Fazenda é dirigida por dois ex-viciados, César e Valdir e sua esposa, todos voluntários que não recebem um vintém furado para trabalhar. Na retaguarda, há outros heróis, como a Drª Gleid Amorim, uma jovem médica, cuja especialidade é amenizar a dor, através da anestesia, mas é especialista maior ainda em amenizar a dor da alma. Esta jovem se dedica de corpo a alma à Casa de Apoio (uma instituição da Arquidiocese de Natal que recebe os jovens drogados antes e depois de sua cura) e à Fazenda Esperança. Outra heroína é Rosângela Meneses Cortez, que superando todas as suas limitações de saúde, criou o Projeto Mãos Dadas da FARN para profissionalizar os jovens recuperados e inseri-los no mercado de trabalho. Este projeto da FARN é indispensável, pois se o jovem recuperado não tiver oportunidade de trabalho, dificilmente vai continuar abstêmio.

Faço daqui um apelo ao Prof. Daladier da Cunha Lima para que dê todo o apoio a este trabalho extraordinário da Professora Rosângela. Quero lembrar que ele, quando era médico do CRUTAC, tirou seu próprio sangue para salvar uma vida. Agora ele não negará esse “sangue novo” pra salvar muitas vidas.

A falta de Água em todas as vilas da Serra do Mel é um problema muito grave, e a Fazenda Esperança também passa por sérias dificuldades devido à escassez de água. O Rotary Natal Sul vai desencadear uma campanha pra tentar furar um poço de mil metros de profundidade para melhorar o abastecimento de água da Fazenda. Bem que a PETROBRAS poderia dar uma força para ajudar na recuperação dos jovens que estão lutando para sair do mundo das drogas.



(16 de junho/2007)
CooJornal no 533


Geraldo Batista
bacharel e licenciado em História, professor e escritor
Natal, RN
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