
30/06/2007
Ano 11 -
Número 535

ARQUIVO
GERALDO BATISTA |
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Geraldo Batista
As lições das novelas
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Resolvi assistir à novela dos oito, aquela que começa às nove horas,
para tirar algumas conclusões sobre o que tem a nos ensinar o maior
complexo de comunicação social do Brasil. Quando a televisão se instalou
no Brasil, dizia-se ingenuamente que ela iria colaborar com educação dos
brasileiros e na difusão dos bons costumes, do civismo, etc. O que se
viu foi aquilo que Stanislau Ponte Preta chamava de “Máquina de fazer
doido”. Nossa televisão ministra cursos de bandidagem em nível de
aperfeiçoamento, mestrado ou coisa parecida.
Voltemos às novelas. A atual novela das oito está dando curso de
prostituição, mostrando umas meninas bonitas vendendo seu corpo numa
casa especializada e depois pelas esquinas. Ensina às jovens que “...
esse negócio de passar o dia todinho em pé numa loja para ganhar um
merreca não vale a pena. Eu vou à luta.” Foi isso que eu ouvi de uma
personagem da atual novela. De fato ela foi à luta e atualmente é
prostituta exclusiva de um vigarista da novela.
Como nas demais novelas, a atual mostra marido botando chifre na mulher
e vice-versa. Tem todo tipo de mau caráter fazendo falcatruas para se
dar bem. Aparecem viciados no carteado e em corrida de cavalo perdendo
tudo o que têm ou que deram a eles. Mas há um caso que me deixou muito
intrigado, um patrão rico está tentando separar o seu mais fiel e mais
preparado funcionário de sua namorada, logo eles que formam um casal bem
comportado, sem exibição de cenas vulgares de sexo, tão ao gosto dos
fazedores de novelas. O que mais me chamou a atenção foi o fato de que o
dono de um conglomerado de empresas está disposto a pagar a uma
vigarista a soma de cinco milhões para separar o casal apaixonado. Será
que o autor da novela pensa que existe algum debilóide que acredite numa
sandice teste tamanho? Isso é querer nivelar todos os telespectadores ao
patamar de burro e de alienado.
Em todas as novelas, de todas as emissoras, mesmo das chamadas
evangélicas, as cenas de sexo em horário em que as crianças ainda estão
acordadas, é a coisa mais comum do mundo. Toda novela faz uma propaganda
danada para mostrar uma menina bem novinha fazendo sexo pela primeira
vez. Parece que incentivar os jovens a praticar sexo o mais cedo
possível é uma meta a ser atingida por todas as emissoras. Não sou nem
careta nem puritano, mas creio que tudo tem sua hora e seu limite. Sexo
é para ser praticado com amor e com responsabilidade. Banalizar o sexo é
uma estupidez contra o que há de mais maravilhoso na vida de um ser
humano.
Quando todos clamam por paz neste mundo tão conturbado por guerras e
violências, nossas emissoras de televisão oferecem uma enorme carga de
programas onde o ponto alto é a violência, desde os desenhos animados,
passando pelos filmes e até em novelas.
Sou literalmente contra a censura, mas o governo deveria chamar os
responsáveis pelas emissoras e dizer claramente a eles que televisão é
uma concessão do governo e uma das finalidades de sua atividade deve ser
a preocupação de educar o povo e não de deseducar. Todo mundo sabe que a
Globo e outras emissoras sabem fazer programas de excelente qualidade,
mas só os exibem depois de meia noite, quando a maioria está dormindo.
Se as novelas de nossas televisões têm algo a ensinar, minha burrice
ainda não captou a mensagem positiva. Já fiz um esforço danado, espremi,
espremi e não vi sair uma só gota de suco de boa qualidade. Se alguém
souber de algo melhor, por favor, me comunique, vou ficar muito grato.
(30 de junho/2007)
CooJornal
no 535
Geraldo Batista
bacharel e licenciado em História, professor e escritor
Natal, RN
geraldo@concursos-rn.com.br
geraldo@talento-rn.com.br
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