
21/07/2007
Ano 11 -
Número 538

ARQUIVO
GERALDO BATISTA |
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Geraldo Batista
Morte anunciada
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Prezados leitores: provavelmente, muitos jornalistas vão escrever
matérias sobre este mesmo assunto bem melhores do que a minha, mas não
posso deixar de externar minha revolta contra o descaso das autoridades
brasileiras para com a aviação e a absoluta falta de respeito para quem
ainda se atreve a voar no Brasil. A imprensa falada, escrita e
televisada já alertou exaustivamente sobre o perigo que ronda alguns de
nossos aeroportos, principalmente o alçapão de Congonhas. Quantas
centenas de pessoa vão perder a vida antes que o governo tome uma medida
séria, começando pelo fechamento daquele aeroporto até que todos os seus
problemas sejam resolvidos. Quando falo em todos os problemas
resolvidos, refiro-se ao fato de que ele se transforme em aeroporto
exclusivo para aviões de pequeno porte e helicópteros.
Um aeroporto cercado de edifícios altos por todos os lados não oferece
segurança nem para quem voa nem para quem mora naquela área. Aliás, as
pessoas que moram em sua vizinhança não têm nem sequer condições de
viver dignamente. Não podem conversar devido ao barulho constante. São
obrigados a dormir tarde e acordar cedo. Imagine, meu caro leitor, a
pessoa chegar de uma festa em um final de semana e no outro dia ter que
acordar às seis horas da manhã, com o ronco das turbinas? Vamos ser
realistas, quem mora nas proximidades de Congonhas não tem sossego nem
para fazer amor. Um amigo, cujo nome prefiro omitir, morava muito
próximo ao aeroporto em um edifício que ficava em baixo da rota dos
aviões, me disse que estava ficando brocha, pois todas as vezes que ia
para a camas com sua mulher, um avião passava roncando em cima de suas
cabeças. “Ou eu me mudava ou minha mulher pedia divórcio.”
Não perdi nenhum amigo, nenhum parente em desastre de avião, mas
confesso que na noite de terça-feira, quase não consegui dormir, vendo
aquela cena passar na minha cabeça como um filme centenas de vezes
repetido. A população brasileira, pacífica por natureza, deveria deixar
de lado o seu comodismo e sair às ruas conduzindo cartazes, faixas,
bandeiras e sei mais o que para pedir providências e segurança para quem
quiser voar. O danado é que o brasileiro há muito tempo perdeu a coragem
de se manifestar e até de se indignar contra os desmandos de nossos
governantes.
De minha parte já tomei a firme decisão de nunca mais embarcar ou
desembarcar em um vôo que utilize o aeroporto de Congonhas. Se todos
fizessem o mesmo, aquele mostrengo ficaria entregue às baratas.
Meus caros leitores, até quando o choro e o grito de desespero dos
parentes das vítimas vão ficar no ar sem que o governo ligue para sua
agonia e escute o seu clamor?
P.S. Pelas últimas, parece que há “alguma coisa no ar além dos aviões da
TAM”. Será que o presidente dessa empresa viaja despreocupado em seus
aviões que, aparentemente, não têm sido submetidos a uma revisão como
manda o figurino e como deveria fazer uma empresa séria.
(21 de julho/2007)
CooJornal
no 538
Geraldo Batista
bacharel e licenciado em História, professor e escritor
Natal, RN
geraldo@concursos-rn.com.br
geraldo@talento-rn.com.br
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