11/08/2007
Ano 11 - Número 541


ARQUIVO
GERALDO BATISTA

 

Geraldo Batista



O pós PAN
 

 

Zé das Cuias “me chegou como quem chega do nada” e foi logo dizendo:
- Seu moço, continua tudo com dantes no quartel de Abrantes.

- Por favor, Zé, explique-se melhor.

- Seu moço, você não está observando o pós PAN? Bastou terminarem os jogos, para os tiroteios recomeçarem. Os traficantes trataram de “avisar” que quem manda no pedaço são eles. Ninguém me tira da cabeça que o governo não fez um pacto, em troca de alguma coisa, com os traficantes para eles darem uma trégua e os visitantes pensarem que o Rio é uma cidade pacata. Que país é esse que para dar segurança ao cidadão tem que se curvar perante os traficantes e os bandidos? E tem mais seu moço. O pós PAN está mostrando a verdadeira face de um país que não zela pelos seus heróis. Quando digo herói, não estou exagerando. Vou citar apenas um exemplo. O lutador Diogo Silva, o primeiro a subir no podium para receber uma medalha de ouro pelo Brasil, um rapaz humilde que tem um ridículo patrocínio, em forma de emprego, no valor de seiscentos reais. Não dá nem para se alimentar decentemente. Que nação de merda é essa que não dá a mão nem aos seus atletas que dão sangue e suor e lágrimas para ouvir, emocionados, o nosso hino nacional? Pois bem, Diogo Silva continua ganhando a mesma merreca de antes do PAN. Isso é uma vergonha, seu moço. Cuba, um país falido, governado por um caduco ditador, cuida melhor dos seus atletas.

- Zé, o pior é que não tenho argumentos para lhe desmentir. Realmente, tudo voltou ao “normal” no Rio de Janeiro. É uma realidade muito triste a gente ter que dizer que o normal é esse estado de coisas, esta esculhambação que impera na cidade mais bonita do mundo. Os bandidos estão cada vez mais bem armados, utilizando armas desviadas das forças armadas. A televisão mostra, freqüentemente, os traficantes com armas com poder de fogo superior às da polícia. Até quando os brasileiros vão suportar pacificamente essa falta de segurança, essa falta autoridade? Quando, meu Deus os eleitores vão ser iluminados para escolher dirigentes sérios com disposição de colocar nos trilhos nosso país? O pior é que o mau exemplo vem de cima. Hoje, do presidente do Senado para baixo o que só se vê é corrupção, desfalques e negócios escusos. Há ainda deputado que se elegeu para viver para cima e para baixo desfilando com uma mulher de luxo que troca de “namorado” (leia-se amante) a cada ano ou semestre. No meu tempo, mulher desse tipo atendia por outro nome. Os leitores sabem melhor do que eu. O deputado norte-rio-grandense, a quem me refiro, apareceu em toda mídia com sua namorada exibindo os seios como se fosse um troféu.
O Rio Grande do Norte elegeu dois deputados que foram logo chamados de “Mauricinhos” pela elegância e boa pinta. Um deles, Felipe Maia, felizmente, resolveu assumir o mandato de verdade e não está desonrando o voto de seus eleitores.



(11 de agosto/2007)
CooJornal no 541


Geraldo Batista
bacharel e licenciado em História, professor e escritor
Natal, RN
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