20/10/2007
Ano 11 - Número 551


ARQUIVO
GERALDO BATISTA

 

Geraldo Batista




O Rio de Janeiro e a TAM

 


No dia 6 deste mês, meu filho Gustavo telefonou-me de Brasília avisando que a TAM estava fazendo uma ótima promoção de passagens aéreas. Comprei uma passagem para o Rio de Janeiro a fim passar um prolongado final de semana com ele. Resolvi deixar de lado o pavor que eu tinha pela cidade mais bonita do mundo e fui à luta. Na pequena mala, pouca roupa, um par de tênis e um roteiro passado por Nei Leandro de Castro com melhores botecos e outros lugares interessantes. O vôo Natal/Rio saiu na hora marcada. Cheguei ao Rio antes das seis de manhã da quarta-feira. Encontrei o Rio lindo como sempre e por sorte não vi nenhum lance de violência. Parecia que estava na Suíça. Andamos de ônibus, de Metrô e caminhamos muito entre Copacabana, Arpoador, Ipanema até o Leblon. Cruzamos com muita gente bonita e feia também e com inúmeras vacas.

As ruas do Rio foram invadidas pela maior e mais divertida exposição de rua do mundo. A CowParade - mostra de vacas em fibra de vidro pintadas por artistas diversos espalhadas pelos pontos mais movimentados da cidade. A CowParade já foi vista por mais de 100 milhões de pessoas, em pelo menos 37 cidades em todo o mundo. No Brasil, já passou por Belo Horizonte, São Paulo, antes de chegar ao Rio. Todas as vacas muito criativas. Uma delas está ao lado da estátua de Carlos Drumond de Andrade, no calçadão de Copacabana, em pé lendo um livro. São cerca de 150 peças, que depois serão leiloadas e cuja renda será revertida para instituições filantrópicas.

Para os leitores do Rio isso não é nenhuma novidade, se bem que comentando com algumas pessoas que moram na cidade, descobri que algumas delas não tinham ainda tomado conhecimento das divertidas vacas.

A Prefeitura do Rio construiu barracas com um projeto arquitetônico de muito bom gosto, com um modelo diferente para cada uma elas e todas equipadas com banheiro e sanitários subterrâneos de um lado e cozinha e depósito de outro. Coisa de primeiro mundo. O usuário paga um real e cinqüenta centavos pelo uso, com direito a um banho num ambiente realmente higienizado, sem agressão ao olfato. O prefeito de Natal bem que poderia fazer algo parecido. Nossas barracas de praia são de uma pobreza franciscana.

Peço permissão aos leitores para fazer um desabafo contra o descaso da TAM para com seus clientes. O vôo JJ 3370 deveria sair do Rio às nove horas. Quando os passageiros se dirigiram ao portão 30 para o embarque, um funcionário da TAM informou que a aeronave na qual iríamos viajar já estava no pátio, aguardando apenas a chegada da tripulação que viria de São Paulo, "Mas já está voando para o Galeão.", informou o funcionário.

Depois de 40 minutos, nenhuma notícia da tripulação. Foi quando o mesmo funcionário nos informou que a aeronave estacionada no portão 30 seria deslocada para um vôo para Porto Alegre. Então, eu gritei: E as nossas bagagens que entraram nesse avião?

- Vamos mandar retirar.

Nessa altura dos acontecimentos, começamos a protestar. Exigimos a presença de um superintendente da empresa para nos dar uma explicação. Depois de mais de uma hora, sob a ameaça de nossa parte de que ninguém embarcaria pela TAM para nenhum destino, antes que providenciassem um avião para atender ao nosso vôo, chegou o superintendente. Um passageiro começou a filmar e gravar o que ele estava dizendo. O superintendente resolveu dar uma de "autoridade".

- Vou processar os senhores por apropriação indébita de minha imagem e posso até chamar a Polícia Federal para prendê-los.

Foi a gota d´água que faltava para encher minha medida de paciência. Liderei uma sonora vaia no chefete e chamamos a Polícia Federal para intervir. Os agentes federais deram um prazo de meia hora para a solução do problema. Foi quando outro funcionário ligou para alguém e em seguida nos informou que um avião que estaria chegando de Buenos Aires faria o vôo 3370. Dito e feito. Com três horas de atraso embarcamos. Cheguei à conclusão que a TAM só trata os seus passageiros sem nenhum respeito por culpa dos acomodados. Se todo mundo reagir, a coisa ou vai ou racha.



(20 de outubro/2007)
CooJornal no 551


Geraldo Batista
bacharel e licenciado em História, professor e escritor
Natal, RN
geraldobatista@digizap.com.br