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Geraldo Batista
Respondendo a Zé das Cuias
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No dia 29 de novembro, começará mais uma edição do carnaval fora de
época de Natal, o Carnatal. Estou escrevendo este texto no dia 24/11.
Ao sair de uma quitanda (hoje chamam mercadinho), uma leitora pediu
notícias de Zé das Cuias reclamando que ele anda muito calado. Disse a
ela que ele havia aparecido e hoje escrevera novamente, cheio de
perguntas, às quais passo a responder.
- Seu moço, você já calculou quanto o erário gasta com o Carnatal,
somente com o pagamento de horas extras aos dois mil policiais postos à
disposição da festa da Destaque? (A Destaque é uma empresa privada que
organiza a festa.)
Sei não, Zé, mas deve ser uma nota preta, fora o que gasta com os
Amarelinhos. (guardas de trânsito, assim chamados pela cor do
fardamento). Enquanto isso, um dos nossos jornais publica hoje que o
serviço de Pediatria do principal hospital da cidade foi fechado por
falta de verba.
Seu moço, o que você acha dessa poluição sonora dos trios elétricos
baianos que inferniza a vida de quem mora e trabalha nas proximidades do
corredor da folia?
Um absurdo, Zé. Essa festa deveria se transferir para a Via Costeira
onde estão os turistas interessados na mesmice de sempre. Mas, dona
Iracy Azevedo, coordenadora Geral do Carnatal, precisa urgentemente
fazer uma consulta ao Centro Auditivo Telex, pois teve a coragem de
declarar que; “Fizemos um estudo de impacto ambiental e concluímos que a
intensidade do trio equivale à intensidade do fluxo de carros nos
períodos normais.” Ou dona Iracy é surda ou está pensando que nós somos
imbecis.
- Vocês que trabalham na área se sentem incomodados com o fato de não
poderem trabalhar no horário normal e ainda mais sentindo o cheiro de
urina?
Nem fale, nisso, Zé. Temos que trabalhar no dia seguinte sentindo um
insuportável cheiro de urina. No JH Primeira Edição publicou no ano
passado, a seguinte manchete: “Foliões tiveram que driblar a lagoa
formada por urina.”, com direito a foto colorida. No portão da minha
empresa havia uma poça de urina. Será que dona Iracy Azevedo vai ter
coragem de dizer que nossas ruas fedem a urina durante o resto do ano?
Ou ela confunde cheiro de urina com perfume francês?
Vou transcrever alguns trechos que andei lendo nos jornais sobre o
“Desrespeito à cidadania”, como escreveu João Batista Machado. “Durante
quatro dias, à semelhança dos nazistas que confinavam os judeus em
“guetos” permitindo apenas circulação numa área restrita, os promotores
do “carnatal” procedem da mesma maneira em Lagoa Nova. O bairro
transforma-se em parque de lazer para a Destaque vender “alegria por
metro quadrado’, à revelia do sossego dos seus habitantes.”
Sanderson Negreiros foi igualmente feliz quando grafou: “...nestes dias
de trevas com que o carnatal onubila esta cidade de Natal, cuja
programação oficiosa teve a sensibilidade cristã de incluir este festim
de final de Império Romano no ciclo das Festas do Natal.”
O Dr. Iaperi Araújo escreveu carta para o jornal falando entre outras
coisas das “mulheres que apalpavam ostensivamente os penduricalhos dos
gringos...”
Um promotor de justiça me disse que se a Secretaria de Defesa Social
colocasse um terço do aparato que ela põe à disposição da Destaque,
Natal seria uma ilha de tranqüilidade e não precisava dos semáforos que
a Destaque manda retirar, era só botar os Amarelinhos nas ruas como faz
durante o Carnatal.
O padre Matias Soares escreveu esta semana: “As pessoas estão sendo
massificadas pelas leis do mercado e das grandes indústrias da festa.
(As bandas baianas que faturam uma fortuna às custas dos bestas.) O
Carnatal é Festa do Macacos onde se pula sem saber o porquê.”
Zé, o Carnatal é isso. O resto é conversa de cronista social ou de
jornalista puxa-saco dos ricos e das autoridades.
(01 de dezembro/2007)
CooJornal
no 557