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Geraldo Batista
Recado para Sarah |
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Em 1995, o meu companheiro de Rotary Francisco Jadir chegou para a
reunião do nosso clube acompanhado de uma jovem que carregava todos os atributos capazes
de fazer um avô como eu se apaixonar pela “sorinha” que o
beijou “trazendo um sorriso franco num rostinho encantador”. Foi assim
que fui apresentado a Sarah, uma menina linda, muito branca, simpática e
sorridente. O tempo se encarregaria de revelar outras qualidades da
menina que conquistou o coração do “tio”, uma vez que seu pai se
transformou em irmão por escolha mútua. Certo dia, Jadir resolveu levar
sua filha para uma reunião festiva para ela cantar uma Ave Maria na
abertura dos trabalhos de Rotary, quando se costuma fazer uma oração.
Todos escutaram em silêncio o canto daquela menina, cuja voz tem o
condão de encantar e emocionar os que têm o privilégio de ouvi-la.
Emotivo como sou, senti um frio na espinha e uma enorme vontade de
chorar de emoção. Os aplausos falaram mais alto do que qualquer elogio
que alguém ousasse fazer. Tivemos a alegria de ouvi-la em outras
ocasiões.
Quando ela foi participar de um programa de intercâmbio da Fundação
Rotária, sua voz representou o Brasil nos Estados Unidos e os americanos
do norte descobriram que aqui tem gente que canta e encanta, quando
resolve soltar a voz e liberar a emoção, como Sarah sabe tão bem fazer.
Ao me sentar diante do computador para escrever minha crônica semanal
para a Rio Total, minha intenção era escrever um recado para Sarah,
depois de ter tido o privilégio e a satisfação de assistir ao seu
casamento com Bruno. Minha companheira Selma me disse que ao retocar sua
maquiagem diante do espelho tinha tido a intuição de que Sarah iria
entrar na igreja cantando. E foi exatamente o que aconteceu. Quando as
trombetas anunciaram a triunfal entrada da noiva, a igreja foi envolvida
pela bela voz da jovem que se dirigia ao altar. Sarah, deixando de lado
a emoção do momento, resolveu presentear a todos nós com o cântico de
uma Ave Maria arrancada do fundo do coração. Era como se ela quisesse
dizer que não havia nada mais importante, naquele momento, do que sua
homenagem à mãe de Jesus que a conduzia ao altar, pelas mãos do seu pai,
para o encontro com o seu amado. E você, Sarah ainda teve a ousadia de
nos presentear com outro momento de graça na hora do pai nosso quando
cantou outra música para deleite dos presentes.
Minha querida Sarah, sobre a bela recepção oferecida por Jadir e Écia
nem preciso falar. O que se viu não foi nada diferente do que se
esperava da generosidade de seus pais: uma mesa farta e elegante como
manda o figurino.
E sobre Bruno? Minha querida sobrinha, aprendi com minha mãe uma lição
quando ela dizia: “Meu filho, falar sobre quem não se conhece é um
perigo, você pode está cometendo um vilipêndio.” Eu nem sabia o que a
palavra significava, mas entendi que era melhor ficar calado nessas
horas. Mas pelo pouco que escutei sobre o noivo, tenho a impressão de
que ele vai saber valorizar a jóia que recebeu diante do altar de Deus,
sob as bênçãos de Nossa Senhora a quem você exultou com sua linda voz.
Minha querida sobrinha, receba um beijo de agradecimento deste tio, (ou
seria avô?), apaixonado pela sua voz e por todo o conjunto que faz de
você uma figura encantadora.
(22 de dezembro/2007)
CooJornal
no 560