22/12/2007
Ano 11 - Número 560


ARQUIVO
GERALDO BATISTA

 

Geraldo Batista

 

Recado para Sarah

 

 

Em 1995, o meu companheiro de Rotary Francisco Jadir chegou para a reunião do nosso clube acompanhado de uma jovem que carregava todos os atributos capazes de fazer um avô como eu se apaixonar pela “sorinha” que o beijou “trazendo um sorriso franco num rostinho encantador”. Foi assim que fui apresentado a Sarah, uma menina linda, muito branca, simpática e sorridente. O tempo se encarregaria de revelar outras qualidades da menina que conquistou o coração do “tio”, uma vez que seu pai se transformou em irmão por escolha mútua. Certo dia, Jadir resolveu levar sua filha para uma reunião festiva para ela cantar uma Ave Maria na abertura dos trabalhos de Rotary, quando se costuma fazer uma oração. Todos escutaram em silêncio o canto daquela menina, cuja voz tem o condão de encantar e emocionar os que têm o privilégio de ouvi-la. Emotivo como sou, senti um frio na espinha e uma enorme vontade de chorar de emoção. Os aplausos falaram mais alto do que qualquer elogio que alguém ousasse fazer. Tivemos a alegria de ouvi-la em outras ocasiões.

Quando ela foi participar de um programa de intercâmbio da Fundação Rotária, sua voz representou o Brasil nos Estados Unidos e os americanos do norte descobriram que aqui tem gente que canta e encanta, quando resolve soltar a voz e liberar a emoção, como Sarah sabe tão bem fazer.

Ao me sentar diante do computador para escrever minha crônica semanal para a Rio Total, minha intenção era escrever um recado para Sarah, depois de ter tido o privilégio e a satisfação de assistir ao seu casamento com Bruno. Minha companheira Selma me disse que ao retocar sua maquiagem diante do espelho tinha tido a intuição de que Sarah iria entrar na igreja cantando. E foi exatamente o que aconteceu. Quando as trombetas anunciaram a triunfal entrada da noiva, a igreja foi envolvida pela bela voz da jovem que se dirigia ao altar. Sarah, deixando de lado a emoção do momento, resolveu presentear a todos nós com o cântico de uma Ave Maria arrancada do fundo do coração. Era como se ela quisesse dizer que não havia nada mais importante, naquele momento, do que sua homenagem à mãe de Jesus que a conduzia ao altar, pelas mãos do seu pai, para o encontro com o seu amado. E você, Sarah ainda teve a ousadia de nos presentear com outro momento de graça na hora do pai nosso quando cantou outra música para deleite dos presentes.

Minha querida Sarah, sobre a bela recepção oferecida por Jadir e Écia nem preciso falar. O que se viu não foi nada diferente do que se esperava da generosidade de seus pais: uma mesa farta e elegante como manda o figurino.

E sobre Bruno? Minha querida sobrinha, aprendi com minha mãe uma lição quando ela dizia: “Meu filho, falar sobre quem não se conhece é um perigo, você pode está cometendo um vilipêndio.” Eu nem sabia o que a palavra significava, mas entendi que era melhor ficar calado nessas horas. Mas pelo pouco que escutei sobre o noivo, tenho a impressão de que ele vai saber valorizar a jóia que recebeu diante do altar de Deus, sob as bênçãos de Nossa Senhora a quem você exultou com sua linda voz.

Minha querida sobrinha, receba um beijo de agradecimento deste tio, (ou seria avô?), apaixonado pela sua voz e por todo o conjunto que faz de você uma figura encantadora.



(22 de dezembro/2007)
CooJornal no 560
 


Geraldo Batista
bacharel e licenciado em História, professor e escritor
Natal, RN
geraldobatista@digizap.com.br