23/02/2008
Ano 11 - Número 569


ARQUIVO
GERALDO BATISTA

 

Geraldo Batista

 

Zé das Cuias e seu CC

 

 

Pronto seu moço, acabei de solicitar meu CC. O que você acha?
Zé, pelo amor de Deus, me explique o que danado é CC.
Homem de Deus, CC é simplesmente Cartão Corporativo. Ora, se quase doze mil felizardos usam e abusam do CC, eu, na qualidade de filho de Deus, também tenho direito de requerer o meu. Você sabe que quando os espertalhões do PT sacam dinheiro vivo, gastam com o que bem entendem e não pagam nenhum centavo de imposto de renda. Enquanto nós os contribuintes pagamos sobre cada centavo recebido. Lula comprou, em dos seus passeios ao exterior, uma jóia para sua galega, como ele chama dona Marise, pela bagatela de cerca de dezoito mil reais. Até sua filha que mora no Sul do Brasil tem direito a usar o CC. Boris Casói está fazendo falta para dizer: “Isso é uma vergonha.”

Uma revista de circulação nacional, que você sabe qual é, vem denunciando todas as semanas os escândalos do uso indevido do CC e nenhuma providência é tomada por quem de direito. O ministro Marco Aurélio Mello declarou que não há na Constituição Federal nenhum preceito que garanta o sigilo dos gastos da Presidência da República. Nessas alturas, a ex-guerrilheira Dilma Rousseff inventa de dizer que os gastos da Presidência têm de continuar sigilosos. Ou seja, neste país o primeiro mandatário pode meter a mão no erário e continua protegido por um sigilo vergonhoso.

Uma coisa eu garanto, seu moço, esta história muito mal contada. Se o presidente não deve revelar suas gastanças no CC, por uma questão de segurança, eu vou me dar o direito de não declarar minha renda alegando segurança pessoal. Afinal de contas o governo se julga com o direito de vasculhar minha vida privada, enquanto os seus atos públicos podem ficar escondidos. Isto não me cheira nada bem.

Você quer saber mais, seu moço? Enquanto Lula concedeu um aumento de 0,01% ao funcionário publico, aumentou em 2000% as despesas como os Cartões Corporativos. Na minha matemática, o nome disso é pura sacanagem.

Quem danado é Clever Pereira Fialho e qual a importância deste indivíduo para o desenvolvimento do país para ter o direito de sacar dois milhões e quatrocentos mil reais do erário sem dar satisfação a ninguém?

Deram as contas da ministra de uma pasta inútil, Matilde Ribeiro, que gastou apenas um troco comparado aos milhões do senhor Fialho. Teve até um ministro que comprou tapioca com O CC. Se este ministro fosse meu filho, eu o chamaria de imbecil.

Em sendo assim, seu moço, eu quero meu CC, para que se cumpra a máxima de Stanlislaw Ponte Preta: “Ou restaura-se a moralidade ou locupletemo-nos todos.”





(23 de fevereiro/2008)
CooJornal no 569
 


Geraldo Batista
bacharel e licenciado em História, professor e escritor
Natal, RN
geraldobatista@digizap.com.br