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Geraldo Batista
Exploração sexual de menores
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Lendo os jornais ou vendo
programas de televisão do Brasil e de países da Europa, fica-se com a
impressão de que a exploração sexual de menores, importada juntamente
com os turistas, é coisa dos Estados nordestinos. A prostituição
infanto-juvenil existe em todo o Brasil, inclusive nas cidades do
interior.
É preciso trazer à tona algumas verdades sobre o assunto. Inicialmente,
desejo lembrar que antes de nossas cidades serem invadidas pelos
estrangeiros já existia o problema, embora em menor escala. Em 1954, eu
trabalhava com D. Eugênio Sales. Naquela época Natal parecia uma grande
fazenda iluminada. Mangueiras e sapotizeiros em todos os quintais. Até
abieiros podiam ser encontrados. Atualmente se alguém perguntar a um
morador de Natal o que é abio, provavelmente ninguém sabe. Isto posto,
quero dizer aos meus leitores que o bispo D. Eugênio Sales, com quem eu
trabalhava, em1954, me disse certa vez: “Geraldo, hoje, por incrível que
pareça, têm meninas alunas de colégios religiosos se prostituindo”.
Os turistas podiam ser contados nos dedos da mão, até pela simples razão
de que Natal não tinha hotel, a não ser o Grande Hotel, que de grande só
tinha o nome.
Em 1983, eu trabalhava na Comissão do Vestibular da Universidade Federal
do meu Estado. Devido a uma greve, o vestibular do segundo semestre
começou no dia 7 de setembro. Depois da aplicação das provas começavam
os trabalhos de correção das redações dos candidatos. Eu chegava à
COMPERVE às seis horas da manhã e saía às 18 horas. Certo dia, quando ia
para casa, parei em um semáforo e uma colegial com farda de um famoso
colégio religioso me perguntou se eu poderia lhe dar uma carona até o
Hotel Residence que ficava no caminho de minha casa. A jovem entrou no
meu carro e antes de chegar ao seu destino, me perguntou:
- O senhor não prefere me levar para um motel?
Fiquei chocado e perguntei: Menina, você está louca?
- Eu estou acostumada fazer isso.
Quantos anos você tem?
- Quatorze.
E por que razão você quer ir para o motel comigo?
- Por amor.
-
Que amor uma ova. Tenho idade de ser seu avô e além do mais estou
cheirando mal, pois tomei banho às seis horas da manhã, trabalhei o dia
todo correndo para cima e para baixo e você vem me falar em amor.
Perguntei onde ela morava. Em sua rua só havia casas muito boas,
portanto ela não podia ser carente.
Parei o carro diante do hotel e mandei que ela saltasse.
- Esse velho não é de nada...
Mas tem juízo, minha filha.
Então, eu pergunto o que tem a ver o turista com o fato de meninas como
ela oferecerem seu corpo ao primeiro que encontra?
Não tenho a menor dúvida que com o advento do turismo, o problema
cresceu assustadoramente, pois além de tudo, o dólar e o euro são uma
atração a mais para as meninas carentes e para as que vendem seus corpos
por prazer ou por razões que não consigo entender.
De uma coisa estou certo, as autoridades têm que fazer algo mais do que
fazer propaganda na TV e espalhar algumas dúzias de cartazes contra a
exploração de nossas crianças.
(08 de março/2008)
CooJornal
no 571