22/03/2008
Ano 11 - Número 573


ARQUIVO
GERALDO BATISTA

 

Geraldo Batista

 

A formiga e a cigarra

 

 

Meus contados leitores, não preciso vos contar a fábula do genial Jean de La Fontaine. Quero apenas lembrar que aqui no Brasil, a fábula está acontecendo diariamente, mas com um final completamente diferente. Cá, como diriam nossos irmãos portugueses, o buraco é mais em cima, quando deveria ser mais em baixo. Basta ler as manchetes dos jornais de hoje (13/3/2008) da cidade de Natal: “Sem-terra bloqueiam estradas no RN” “Sem-terra apedreja viatura e fere um policial rodoviário” Foram três estradas bloqueadas simultaneamente.

Acabei de assistir na “máquina de fazer doido”, como Stansilaw Ponte Preta chamava a Televisão, a notícia sobre o bando de sem-terra que interditaram as três estradas, queimando pneus para fazer uma série de reivindicações.

A única coisa positiva do movimento foi a queima dos pneus para reduzir os criadouros do mosquito transmissor da dengue.

Ouvi do líder de um dos assentamentos entre outras exigências, a de que “o governo ainda não atendeu ao nosso pedido de construir casas com infra-estrutura necessária para a gente morar.”

Vamos fazer um paralelo entre a formiga e a cigarra de La Fontaine. Enquanto, o assalariado (formiga) dá um duro danado, cumpre uma jornada de oito horas para ganhar um salário mínimo. Mora num barraco imundo ou numa casa tão pequena que não merece nem o nome de casa, pagando um aluguel de sessenta reais (13,34%) do seu salário, o sem-terra (cigarra) passa o dia deitado numa rede, tomando uma branquinha, pitando seu cigarro, numa boa.
Só isso? Não. O sem-terra recebe bolsa família, cesta básica, bolsa gás, bolsa escola e ainda exige uma casa com toda infra-estrutura, e logo mais vai receber bolsa geladeira.

O operário ganhando um salário mínimo não tem como comprovar renda para financiar uma casinha com uma sala, quase miniatura, um quarto e uma pequena cozinha.

Isto significa que o trabalhador brasileiro é um babaca como nós nordestinos chamamos o basbaque. Trabalha de besta que é. Ao invés de seguir o exemplo da formiga deveria bancar a cigarra, votar no PT e viver às custas dos imbecis que trabalham, pagam impostos para sustentar os vagabundos. Sem terra, no Brasil é uma profissão bastante rendosa.



(22 de março/2008)
CooJornal no 573
 


Geraldo Batista
bacharel e licenciado em História, professor e escritor
Natal, RN
geraldobatista@digizap.com.br