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Geraldo Batista
A formiga e a cigarra
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Meus contados leitores, não
preciso vos contar a fábula do genial Jean de La Fontaine. Quero apenas
lembrar que aqui no Brasil, a fábula está acontecendo diariamente, mas
com um final completamente diferente. Cá, como diriam nossos irmãos
portugueses, o buraco é mais em cima, quando deveria ser mais em baixo.
Basta ler as manchetes dos jornais de hoje (13/3/2008) da cidade de
Natal: “Sem-terra bloqueiam estradas no RN” “Sem-terra apedreja viatura
e fere um policial rodoviário” Foram três estradas bloqueadas
simultaneamente.
Acabei de assistir na “máquina de fazer doido”, como Stansilaw Ponte
Preta chamava a Televisão, a notícia sobre o bando de sem-terra que
interditaram as três estradas, queimando pneus para fazer uma série de
reivindicações.
A única coisa positiva do movimento foi a queima dos pneus para reduzir
os criadouros do mosquito transmissor da dengue.
Ouvi do líder de um dos assentamentos entre outras exigências, a de que
“o governo ainda não atendeu ao nosso pedido de construir casas com
infra-estrutura necessária para a gente morar.”
Vamos fazer um paralelo entre a formiga e a cigarra de La Fontaine.
Enquanto, o assalariado (formiga) dá um duro danado, cumpre uma jornada
de oito horas para ganhar um salário mínimo. Mora num barraco imundo ou
numa casa tão pequena que não merece nem o nome de casa, pagando um
aluguel de sessenta reais (13,34%) do seu salário, o sem-terra (cigarra)
passa o dia deitado numa rede, tomando uma branquinha, pitando seu
cigarro, numa boa.
Só isso? Não. O sem-terra recebe bolsa família, cesta básica, bolsa gás,
bolsa escola e ainda exige uma casa com toda infra-estrutura, e logo
mais vai receber bolsa geladeira.
O operário ganhando um salário mínimo não tem como comprovar renda para
financiar uma casinha com uma sala, quase miniatura, um quarto e uma
pequena cozinha.
Isto significa que o trabalhador brasileiro é um babaca como nós
nordestinos chamamos o basbaque. Trabalha de besta que é. Ao invés de
seguir o exemplo da formiga deveria bancar a cigarra, votar no PT e
viver às custas dos imbecis que trabalham, pagam impostos para sustentar
os vagabundos. Sem terra, no Brasil é uma profissão bastante rendosa.
(22 de março/2008)
CooJornal
no 573