
05/04/2008
Ano 11 -
Número 575

ARQUIVO
GERALDO BATISTA |
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Geraldo Batista
Isto é um assalto!
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Zé das Cuias entrou bufando
no meu escritório. Falou aos gritos:
- Seu moço, acabo de ser assaltado. Falou exibindo uma tira de papel, do
extrato de sua conta bancária. Aqui está a prova. Tarifa por conta
ativa; Tarifa por renovação de cadastro; Tarifa por saque eletrônico;
Tarifa por emissão de cheque; Tarifa por extrato; Tarifa por contrato de
crédito; Tarifa por emissão de cheque inferior a R$ 40,00; Tarifa por
transferência para outra conta; Tarifa por DOC eletrônico; Tarifa por
cheque especial; Tarifa por remessa de talão a domicílio. E mais uma
danação de Tarifas que o cliente não consegue identificar. Para
completar a complicação, o extrato é cheio de siglas e abreviações
indecifráveis. Por exemplo, neste extrato foi debitado duas vezes por COV DB AUT e duas vezes por CVPREV. Perguntei a uma funcionária o que
danado era e ela simplesmente disse: sabe que não sei. Isso é uma
esculhambação.
Em que país vivemos em que os bancos deitam e rolam e ninguém toma uma
providência? Até quando o brasileiro vai assistir a tudo isso de braços
cruzados? Se nós brasileiros fôssemos uma sociedade realmente
organizada, tomaríamos uma decisão coletiva de encerrar nossas contas e
mandar os bancos às favas. Em vez disso, ficamos de braços cruzados
assistindo aos bancos meter a mão no nosso cada vez mais minguado
dinheirinho.
Para completar a farra dos bancos, os donos achando que estão faturando
pouco, resolveram reajustar as tarifas em “apenas” 183%.
Seu moço, os maiores assaltantes do Brasil são os Bancos, tantos os
oficiais como os privados.
O lucro dos bancos não é mais contabilizado em milhões. Entrou na casa
dos bilhões, tudo isso, sob as vistas complacentes do governo Lula e de
sua equipe econômica.
P.S. Até que enfim, uma notícia agradável para mim. Acabo de assisti na
TV Senado que aquela casa aprovou o nome do meu amigo Virgílio
Moretzsohn para embaixador do Brasil no Reino de Marrocos. No meu livro
“Lembranças” eu transcrevo um poema de sua autoria dedicado a este
escriba sem futuro e seus filhos Karla e Gustavo, ainda muito crianças.
“... E vejo Guga/Karla
Representando miudamente Selma, ...
Minha mulher estava fazendo um estágio em São Paulo naquele momento.
O poema foi escrito na mesa de um restaurante, em um guardanapo de papel
que ainda o tenho guardado.
POEMA DE VIRGÍLIO MORETZSOHN
Nestas horas de Natal, todas suas,
aqui e ali,
Como sorvete crioulo na boca,
venho falar-lhe
sem susto.
Há, apenas,
o susto cósmico de estar presente
ao seu lado,
quando começo a me transportar
para Noronha,
ilha toda,
debochada nas suas reticências.
O poeta tem compromissos
longos com a palavra.
É delas um viciado,
um adicto,
um tonto.
Mas reúno,
nesta longa noite,
a última em Natal,
os complexos,
meus e
rasteiros,
de ter sido tão conquistado,
tão abestalhadamente.
E vejo Guga/Karla,
Representando miudamente Selma,
os recebo os inhos, inhas
que me transportam para um
portão que fechei aos cinco anos.
Geraldo:
venho e vou,
consisto nesta gangorra
de trânsito permanente.
Mas se vou
(irei),
deixo aqui
rastros íntegros
de uma passagem
tão adoçada
pelo
pronto amparo.
Oferece Virgílio 27-4-79
(05 de abril/2008)
CooJornal
no 575
Geraldo Batista
bacharel e licenciado em História, professor e escritor
Natal, RN
geraldobatista@digizap.com.br
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