10/05/2008
Ano 11 - Número 580


ARQUIVO
GERALDO BATISTA

 

Geraldo Batista




Ronaldinho “Fenômeno”

 

Nunca engoli essa história inventada pelo chato do Galvão Bueno chamar Ronaldinho de fenômeno. O rapaz desde novinho sempre teve muita intimidade com a bola, podia realmente ser chamado de craque. Mesmo assim, não suportou a pressão de jogar diante da seleção comandado por Zidane, e deu no que deu. Naquela ocasião, eu escrevi: Galo velho é que dá canja boa.

Enquanto Galvão Bueno endeusava o rapaz, chamando-o de fenômeno e comparando-o a Pelé, Boris Casoi falou curto e grosso: “Esse menino ainda tem que comer muito feijão para chegar aos pés de Pelé.” O narrador da Globo enaltecia o Fenômeno” até por ele ter sido campeão mundial de 1994, esquecendo que ele não jogou um minuto sequer naquela copa. Era o caso de se dizer: “Menos, Galvão Bueno, menos.” Dizem as línguas ferinas que o narrador ganhava uns dólares por fora para elogiar o seu pupilo preferido.

Na época que ele fez o contrato milionário com o Real Madri, eu escrevi: Ronaldinho agora vale quanto pesa. Uma alusão ao seu peso e ao peso dos milhões de dólares.

O leitor tem todo o direito de me criticar pelo fato de eu nunca ter considerado esse rapaz um fenômeno. Explico minhas razões: Melhor do que ele foi Garrincha e ninguém o chamou de fenômeno. Pelé foi um fora de série, não pode ser comparado a ninguém. Pelé foi gênio e como a natureza é muito avarenta, só vai gerar outro gênio do futebol depois de mil anos. Espero que ela não esqueça a fórmula.

A essas alturas, Zé das Cuias, que vive fiscalizando meus escritos perguntou:
- Espere aí seu moço e nós do país do futebol nunca tivemos um fenômeno?
- Tivemos Zé, e esse fenômeno se chama Dario José dos Santos ou Dadá Maravilha.
Numa entrevista à Revista Placar ele contou parte de sua história:
- Pelé é gênio, eu sou o fenômeno do futebol brasileiro. Quando saí da FEBEM, aos 19 anos, para onde fui levado, depois de ter sido preso por ter praticado um furto, fui quebrar pedra numa pedreira. Minhas mãos ficaram num estado lamentável, cheia de cortes e inchadas. Daí eu pensei, quer saber de uma coisa, vou jogar futebol.
Fui parar no campo de treinamento do Olaria. O técnico mandou eu entrar no campo e depois do treino me disse: “Volte para a pedreira, você não nasceu para jogar futebol, não” Mesmo assim, não desisti. Em 1965, fui jogar nos juniores da equipe do Campo Grande, depois de ter feito um gol de canela. Foi aí que descobri que "Não existe gol feio. Feio é não fazer gol." (essa é uma de suas famosas frases). Daí para frente, não parei mais de fazer gols, fui artilheiro de todos os clubes por onde passei. Só no Atlético Mineiro fiz 208 gols.
Fui campeão por 10 clubes. Ao todo marquei 926 gols (é o terceiro maior artilheiro do Brasil, só perde pra Romário e Pelé). Ainda hoje, o recorde de gols numa partida é meu. Numa partida válida pelo Campeonato Pernambucano de 1976, marquei dez gols, jogando pelo Sport contra o Santo Amaro. Minha marca superou as de Pelé e de Jorge Mendonça, que marcaram oito gols em uma mesma partida. Foi assim que me tornei um fenômeno.
Terminou a entrevista repetindo uma de suas frases: "Não venha com a problemática que eu dou a solucionática".

Voltando a Ronaldinho, ele agora virou um “fenômeno” de verdade. Para passar uma noite com três travestis e só descobrir que não eram mulheres de manhã, precisa mesmo ser um fenômeno.

Que belo exemplo deu esse rapaz a nossa juventude. Depois de deixar sua “namorada” em casa, telefona para uma agência de prostitutas e solicita três garotas de programa. E comeu gato por lebre. Bem feito, perdeu até a namorada. Isso é o menos, com seu dinheiro compra outra ligeirinho, ligeirinho. Ninguém me venha dizer que todas as mulheres bonitas com as quais já se deitou foram conquistadas pela sua beleza.

Quem deu o melhor diagnóstico de sua conduta foi uma psicóloga entrevistada pela rádio Globo: “O que Ronaldo precisa com urgência é comprar um par de óculos para distinguir a diferença entre mulher e travesti.”

P.S. Para todas as mulheres maravilhosas que Deus mandou para enfeitar esse velho mundo feio, um beijo carinhoso pelo Dia das Mães.



(10 de maio/2008)
CooJornal no 580
 


Geraldo Batista
bacharel e licenciado em História, professor e escritor
Natal, RN
geraldobatista@digizap.com.br