24/05/2008
Ano 11 - Número 582


ARQUIVO
GERALDO BATISTA

 

Geraldo Batista




Estou de luto...


Hoje muito cedo, recebi a notícia do falecimento de um gigante chamado Jefferson Peres.
Este cidadão registrado como José Jefferson Carpinteiro Peres, nascido no dia 18 de março de 1932, em Manaus. Formou-se em Direito pela Universidade Federal do Amazonas e em Administração pela Fundação Getúlio Vargas. Antes de se tornar político, lecionou na área de economia, na Universidade Federal do Amazonas.

Na década de 50, participou da campanha “O Petróleo é Nosso” e, em 1988, foi eleito vereador em Manaus, seu primeiro cargo público, sendo reeleito para segundo mandato, cumprido até 1995, quando assumiu sua cadeira no Senado.

Foi candidato à vice-presidência do Brasil nas eleições de 2006, na chapa do também senador pedetista Cristovam Buarque, do Distrito Federal.

Jefferson Peres destacou-se por seu trabalho em prol da moralização da política. Quando ele ocupava a tribuna do Senado, os alicerces do palácio da Alvorada estremeciam.
Ele foi o menor Senador da República dos tempos atuais, aliás não sei se patrasmente, como diria Odorico Paraguassu, existiu outro tão pequeno quanto ele. Seu corpo media cerca de um metro e sessenta, ou menos. Era pixototinho, como se diz em Acari, minha terra. Mas tenho certeza que não houve nenhum outro de uma grandeza moral, cívica, transparente e ética quanto ele. Eu sentia uma grande inveja dos amazonenses de não poder votar nele para Senador.

Desiludido com a corrupção no governo Lula, anunciou o seu afastamento da vida política em 2011, ao término do seu mandato como senador do estado do Amazonas, pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT), que infelizmente não pode completar devido ao seu falecimento em 23/05/2008.

Por sua causa, adquiri o hábito de assistir a TV Senado. Seus pronunciamentos eram lúcidos, coerentes e tinham a força de um tufão quando denunciavam as maracutais do governo do PT. Nem a senadora Ideli Salvati, porta voz do PT no Senado e louvaminheira-mór do presidente Lula, tinha coragem de lhe desmentir. Sua fala era cortante como uma cimitarra e tinha o poder de destruição de uma bomba de hidrogênio.

O leitor pode se perguntar de onde este pequeno homem tirava tanta força para usar na tribuna do Senado. A resposta só pode ser uma: De sua retidão, de sua honradez, de sua moralidade, de sua ética. Dizer que Jefferson Peres é insubstituível é muito pouco. É por esta razão que digo aos meus contados leitores, estou t riste, estou de luto juntamente com a pátria brasileira que perde um dos filhos mais queridos pelos que sabem distinguir o joio do trigo.


(24 de maio/2008)
CooJornal no 582
 


Geraldo Batista
bacharel e licenciado em História, professor e escritor
Natal, RN
geraldobatista@digizap.com.br