
29/08/2008
Ano 12 -
Número 596

ARQUIVO
GERALDO BATISTA
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Geraldo Batista
Nepotismo acabou mesmo?
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Segundo meu amigo Zé das
Cuias só acaba no dia de são Nunca. Esta semana ele ouviu um ilustre
deputado federal defendendo o nepotismo quando a beneficiária for a
esposa. Dizia o ilustre salafrário: “Minha esposa trabalha em tempo
integral no meu gabinete. Não existe uma funcionária igual a ela. É a
mais reparada de todas. Não conheço ninguém com dedicação ao trabalho
como a dela. É uma grande injustiça eu ter que demitir minha esposa. Vou
defender que se abra uma exceção para esses casos.”
Seu moço, essa senhora merece pelo menos o prêmio Nobel de amor ao
trabalho. E se não existir este tipo de prêmio, a Suécia precisa
urgentemente criá-lo.
O presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho se confessou triste de ter
que demitir um sobrinho, igualmente eficiente. “Mas, vou ter que
demitir” garantiu o parlamentar.
É incrível a eficiência dos parentes de políticos. Todos são
inteligentes, eficazes, mesmo os que vão à repartição apenas receber o
contracheque. Somente na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Norte
eu conhecia um montão deles. Como nas instalações da Assembléia não
cabem todos os funcionários, é até salutar que muitos deles não apareçam
para dar espaço aos que realmente desejam trabalhar. Aliás, no dia em
que a caixa preta da folha de pagamento de qualquer Câmara Municipal, da
Assembléia Legislativa, da Câmara dos Deputados e do Senado for aberta,
vai ser um deus-nos-acuda, o estrago vai ser pior do que um incêndio de
grandes proporções.
O que você acha de tudo isso seu moço?
- Zé eu não acho nada, tenho a mais absoluta certeza que muitos parentes
vão escapar da degola por algum artifício inventado pelos donos do
poder. O chamado nepotismo cruzado é muito difícil de acabar. Vou citar
um caso famoso conhecido por todos aqui em Natal. A governadora do nosso
Estado conseguiu um cargo comissionado para o seu namorado no Tribunal
Regional do Trabalho e a filha da presidente daquele tribunal foi
contemplada com um cargo comissionado numa repartição do Estado. Vocês,
meus caros leitores acreditam que isso também vai acabar? Por outro lado
eu me pergunto: Empregar namorado é nepotismo? E por falar em namorado,
já está na hora de os dicionaristas darem uma nova redação ao verbete
namorado. Vamos deixar para lá essa história de namorado. O amor é
lindo. Ruim mesmo são os arrumadinhos que levam até filho de governador
para a cadeia. Vou terminar fazendo um pergunta a quem que possa me
responder: Será que jogaram no lixo a Operação Hígia?
(29 de agosto/2008)
CooJornal
no 596
Geraldo Batista
bacharel e licenciado em História, professor e escritor
Natal, RN
geraldobatista@digizap.com.br
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