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Geraldo Batista
Cimento eleitoral
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Relutei muito antes de escrever este artigo. Alguns acontecimentos em
torno dessa obra me deixaram tão confuso a ponto de pensar que estava
delirando. Quando li nos jornais e ouvi no rádio a notícia de que um tenente do
exército havia ligado para um agente da Polícia Civil pedindo o telefone de um
traficante de outro morro a fim de entregar três garotos presos pela patrulha
do Exército, eu não quis acreditar. Mas infelizmente era verdade. Na minha
santa ignorância eu pensava tráfico de droga era sinônimo de crime. Não, não
deve ser. Pois se fosse, o tenente teria prendido o traficante quando o
encontrou, ao invés de lhe entregar os garotos para “receber um corretivo”. No
mínimo, os garotos seriam torturados. E o foram, para depois serem mortos. É a
lei da selva de pedra, onde os bandidos têm o direito de executar sem
julgamento, num país que não admite pena de morte nem para crimes hediondos.
Cheguei ainda a outra triste conclusão: Se um agente da Polícia Civil tem em
sua agenda o telefone de um traficante, no mínimo, é íntimo desse marginal.
Assim, não dá para acreditar na seriedade de uma polícia que tem nos seus
quadros gente dessa natureza. Os bandidos dividiram o Brasil em dois países. Um
que não admite a pena de morte e o outro que executa por motivos fúteis. Aqui
na nossa cidade, Natal, matam-se garotos na média de um por dia por causa da
falta de pagamento de droga. Há alguns dias, ouvi o choro de uma mãe dizendo:
“Meu filhinho morreu porque não pagou cinco reais ao traficante.”
Voltemos ao Cimento Eleitoral apelidado de Social. O bispo Crivella, candidato
a prefeito do Rio de Janeiro, membro de uma multinacional especializada em
arrecadar dinheiro dos seus fiéis, utilizando atualmente até máquinas de passar
cartão, para evitar o vexame de sacos de dinheiro, como mostrava a televisão,
resolveu fazer caridade com o dinheiro do contribuinte. A finalidade não podia
ser pior, compra votos em troca de reforma das casas dos eleitores. O
Ministério das Cidades forneceu uma nota de dezesseis milhões e seiscentos mil
reais. Tudo sob a complacência do presidente Lula que foi visitar a obra
levando a tiracolo sua candidata à presidência, a ex-terrorista Dilma Rousseff.
Para completar a asneira, mandou o exército fazer a segurança das obras,
ocupando a favela. O nosso presidente ignorou que esse não é o papel do
Exército. Tanto não é que o tenente trocou os pés pelas mãos e agora está em
maus lençóis. Por outro lado, o Senador Crivella fez um acordo com os
traficantes do Morro da Providência para que eles continuassem o tráfico sem
nenhum problemas e em troca o governo tocaria as obras sem aporrinhação.
Recebi de um amigo uma poesia, inspirada no poema Drummond.
Dona Marisa amava o Lula
Que amava o poder
Que era a paixão do Crivella
Que sonhava com o Exército
Para fazer obra na sua favela.
O Exército que não é polícia
Mostrou toda a sua imperícia
E, mesmo na dúvida entre traficante e milícia,
Vendeu três coitados às sevícias.
Dona Marisa continua avoada
O Crivella é bispo de fachada
O Exército terceirizou a porrada
E o Lula....
Claro, o Lula não sabia de nada.
(05 de julho/2008)
CooJornal
no 588