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Geraldo Batista
De
algemas e de política
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A
proibição do uso de algemas me inspirou para criar uma cartilha com
normas de conduta para os policiais civis e militares abordarem os
bandidos. Antes, quero comentar a atitude do ministro Cezar Peluso que
criticou, em público, duramente a própria filha, a juíza Glaís de Toledo
Piza Peluso, durante o julgamento ocorrido na quinta-feira, dia 7 de
agosto, em que o plenário do STF proibiu o uso indiscriminado de
algemas. Tudo indica que o ministro estava no mundo da lua quando
criticou sua filha ou não leu o processo para descobrir que a tal juíza
era sua filha. Entendo que se ele soubesse quem era a autora do
julgamento, teria se omitido de julgar, alegando suspeição.
Um delegado da Polícia Federal disse que a polícia agora só pode usar
algemas em bancário, em banqueiro, nem pensar. Eu complemento dizendo,
não perca tempo prendendo banqueiro e se o fizer, o ministro manda
soltar.
Vamos a Cartilha. Quando policial abordar um suspeito tipo joão-ninguém,
deverá se dirigir a ele da seguinte maneira.
- Senhor suspeito, por favor, me informe se Vossa Senhoria, uma vez
recebendo voz de prisão, pretende fugir ou me agredir.
Em se tratando de alguém cheio da nota, banqueiro ou político corrupto,
deverá pedir permissão para prendê-lo dirigindo-se a ele nos seguintes
termos:
- Vossa Excelência me permite que eu o prenda ou prefere antes ligar
para o ministro de sua intimidade e ouvir sua opinião?
No primeiro caso, o policial poderá ouvir a seguinte resposta:
- Olhe aqui seu puliça, você é boiola?
Nessa caso, como o policial não pode usar o cassetete para não ser
condenado pela turma dos direitos humanos dos bandidos, deve usar as
algemas, pois certamente nenhum ministro virá em socorro do pobre diabo.
Nem Tarso Dutra o defensor-mór da abolição das algemas.
No segundo caso, o banqueiro dirá o seguinte:
- Pode me prender, mas exijo ser conduzido no banco traseiro de um carro
com ar condicionado e com vidro fumê escuro para não ser reconhecido
pela imprensa.
Em se tratando de um político corrupto ouvirá o seguinte:
- Com quem você pensa que está falando? Sou um parlamentar, minha vida é
um livro aberto, não perca tempo em me prender. Fique sabendo que tenho
impunidade. Se eu for julgado pela comissão de ética da Câmara dos
Deputados, renuncio e nas próximas eleições, volto de cabeça erguida,
pois o meu eleitorado não acredita nestas falsas acusações contra mim.
***
Estamos assistindo a mais uma campanha política para escolha de
prefeitos e de vereadores. O que se vai ouvir de promessas mirabolantes
que jamais serão cumpridas não está em nenhum gibi.
No último domingo, um jornal de Natal publicou uma entrevista com um
deputa do estadual do PT defendendo a candidata do seu partido, uma
deputada federal. Lá para as tantas ele afirma: “A população vai
rejeitar o artificialismo nessas eleições” O deputado se esqueceu que o
mesmo jornal publica, todos os domingos, a agenda dos candidatos a
prefeito, onde consta que sua candidata vai assistir a uma missa numa
igreja católica e em seguida, vai a um culto numa igreja evangélica de
Edir Macedo, apelidada pelo povo de “Banco Central”, pelo volume de
dinheiro arrecadado. Isso é ou não é um artificialismo?
Aqui em Natal, treze vereadores, com ficha suja, acusados formalmente
pela Justiça de venderem seu voto a favor de uma empreiteira para
construir um empreendimento em terreno irregular estão entre os mais
votados segundo as pesquisas eleitorais. Mais uma vez está provado o que
Pelé disse e foi muito criticado: “O povo não sabe votar”.
(15 de agosto/2008)
CooJornal
no 594