15/08/2008
Ano 12 - Número 594


ARQUIVO
GERALDO BATISTA

 

 

Geraldo Batista




De algemas e de política
 

A proibição do uso de algemas me inspirou para criar uma cartilha com normas de conduta para os policiais civis e militares abordarem os bandidos. Antes, quero comentar a atitude do ministro Cezar Peluso que criticou, em público, duramente a própria filha, a juíza Glaís de Toledo Piza Peluso, durante o julgamento ocorrido na quinta-feira, dia 7 de agosto, em que o plenário do STF proibiu o uso indiscriminado de algemas. Tudo indica que o ministro estava no mundo da lua quando criticou sua filha ou não leu o processo para descobrir que a tal juíza era sua filha. Entendo que se ele soubesse quem era a autora do julgamento, teria se omitido de julgar, alegando suspeição.

Um delegado da Polícia Federal disse que a polícia agora só pode usar algemas em bancário, em banqueiro, nem pensar. Eu complemento dizendo, não perca tempo prendendo banqueiro e se o fizer, o ministro manda soltar.

Vamos a Cartilha. Quando policial abordar um suspeito tipo joão-ninguém, deverá se dirigir a ele da seguinte maneira.

- Senhor suspeito, por favor, me informe se Vossa Senhoria, uma vez recebendo voz de prisão, pretende fugir ou me agredir.

Em se tratando de alguém cheio da nota, banqueiro ou político corrupto, deverá pedir permissão para prendê-lo dirigindo-se a ele nos seguintes termos:

- Vossa Excelência me permite que eu o prenda ou prefere antes ligar para o ministro de sua intimidade e ouvir sua opinião?

No primeiro caso, o policial poderá ouvir a seguinte resposta:

- Olhe aqui seu puliça, você é boiola?

Nessa caso, como o policial não pode usar o cassetete para não ser condenado pela turma dos direitos humanos dos bandidos, deve usar as algemas, pois certamente nenhum ministro virá em socorro do pobre diabo. Nem Tarso Dutra o defensor-mór da abolição das algemas.

No segundo caso, o banqueiro dirá o seguinte:

- Pode me prender, mas exijo ser conduzido no banco traseiro de um carro com ar condicionado e com vidro fumê escuro para não ser reconhecido pela imprensa.

Em se tratando de um político corrupto ouvirá o seguinte:

- Com quem você pensa que está falando? Sou um parlamentar, minha vida é um livro aberto, não perca tempo em me prender. Fique sabendo que tenho impunidade. Se eu for julgado pela comissão de ética da Câmara dos Deputados, renuncio e nas próximas eleições, volto de cabeça erguida, pois o meu eleitorado não acredita nestas falsas acusações contra mim.

***

Estamos assistindo a mais uma campanha política para escolha de prefeitos e de vereadores. O que se vai ouvir de promessas mirabolantes que jamais serão cumpridas não está em nenhum gibi.

No último domingo, um jornal de Natal publicou uma entrevista com um deputa do estadual do PT defendendo a candidata do seu partido, uma deputada federal. Lá para as tantas ele afirma: “A população vai rejeitar o artificialismo nessas eleições” O deputado se esqueceu que o mesmo jornal publica, todos os domingos, a agenda dos candidatos a prefeito, onde consta que sua candidata vai assistir a uma missa numa igreja católica e em seguida, vai a um culto numa igreja evangélica de Edir Macedo, apelidada pelo povo de “Banco Central”, pelo volume de dinheiro arrecadado. Isso é ou não é um artificialismo?

Aqui em Natal, treze vereadores, com ficha suja, acusados formalmente pela Justiça de venderem seu voto a favor de uma empreiteira para construir um empreendimento em terreno irregular estão entre os mais votados segundo as pesquisas eleitorais. Mais uma vez está provado o que Pelé disse e foi muito criticado: “O povo não sabe votar”.



(15 de agosto/2008)
CooJornal no 594
 


Geraldo Batista
bacharel e licenciado em História, professor e escritor
Natal, RN
geraldobatista@digizap.com.br

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