12/09/2008
Ano 12 - Número 598


ARQUIVO
GERALDO BATISTA

 

 

Geraldo Batista




No reino da grampolândia

Mais uma vez, Zé das Cuias me procura para botar a conversa em dia.
- Seu moço, posso escrever umas linhas sobre o Reino da Grampolândia?
- Poder, pode, mas primeiro me explique o que danado é isso.
- É o nosso país dominado pelos grampos dos arapongas. Para começar, vou transcrever um diálogo do nosso presidente com um deputado de sua “base” querendo mamar mais um pouco.
- Alô, quem fala?
- Presidente, aqui é o deputado Anastácio Prudente do PMDB do país da grampolândia, como vossa excelência sabe.
- Pode me chamar de Lula mesmo, como os companhêro falam. (*)
- Lula é o seguinte: eu pretendo apoiar todas as suas Medidas Provisórias sem nenhuma restrição, mas estou precisando de mais “capim” pra eleger meu candidato à prefeitura do meu município.
- Companhêro, pelo amor de Deus não diga nada. Dizem que os telefones de todas as autoridade estão grampeados. Eu num acredito não, pois eu só uso telefone celular que eu levo pra todo canto, até para o banheiro, e sendo assim ele não pode tá grampeado, se não ficava preso. O bichim num tem nem a marca de grampo, aqueles furim que fica no papel quando a gente tira o grampo. Só se o meu foi grampeado com clips.
- Sendo assim, companhêro Lula, diga se meu “capim” vai sair.
- Companhêro, vá aprovando minhas medidas que eu vou pensar na sua ração.
- Seu moço, a coisa está preta, o leninismo se instalou de vez neste país. Isto aqui não tem nada mais de democracia, virou ditadura de verdade. Não escapa ninguém, os ministros do Supremo e até os militares estão sufocados pela força do poder. Como sempre o presidente Lula não sabe de nada. O ministro Tarso Genro idem. O pessoal da ABIN trabalha na vizinhança dos dois, e como sempre ignoram tudo.

- É verdade, Zé, o meu telefone já foi grampeado duas vezes por conta de problemas em concursos públicos. Quando um sargento do Exército- um meliante-, procurado pela Polícia Federal, roubou uma prova de um concurso para a Polícia Militar, fui avisado por um Procurador de Justiça de que meu telefone estava grampeado. Minha vingança foi cruel, passei a conversar com meus amigos na seguinte base:
- Meu telefone está grampeado, a gente só pode conversar sobre sacanagem. Tem um corno desocupado que vive escutando minhas conversas, enquanto sua mulher vai para o motel com um Ricardão.
Em pouco tempo, desistiram do grampo. O Sargento, que já havia roubado uma prova de um concurso para a Polícia Rodoviária Federal, caiu nas mãos da Polícia Federal e foi expulso do Exército. Antes, já havia sido preso por ter feito um “gato” da energia do Quartel para sua casa e por ter roubado mercadorias do Exército.

(*) Zé das Cuias transcreveu a conversa do presidente em sua linguagem original.

P.S. Quero agradecer a minha musa Rosa Pena pela dica para escrever este texto. Essa menina é muito generosa para com esse pobre escriba.

 


(12 de setembro/2008)
CooJornal no 598
 


Geraldo Batista
bacharel e licenciado em História, professor e escritor
Natal, RN
geraldobatista@digizap.com.br

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