01/12/2016
Ano 20 - Número 1.008

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Giselle Serra




SE EU PUDESSE...

Giselle - CooJornal


Hoje eu só queria um banho de rio, o arrepio do frio e o calor do sol. Só queria aquela conversa fácil, a risada frouxa, o sorriso nos olhos.

Queria a caminhada preguiçosa, a cantoria na estrada, receber o "bom dia" do ilustre desconhecido.

Queria a lichia no pé, o mato verdinho, o corpo estirado na grama e o olhar perdido no azul do céu.

O almoço na varanda, a chuva de farofa provocada pela incontinência das gargalhadas. A valsa e o cortejo dos colibris dançantes.

Queria o banho fervente, o cheiro de guardado, a aspereza da toalha e macio dos lençóis.

Daí viriam longas conversas telefônicas e suas respectivas atualizações. O brigadeiro de colher, o copo de vodka misturada com não sei o quê.

Depois o ronco dos motores, a expectativa no portão.

A "maldita" garoa do fim de tarde colocaria nossos planos em risco, mas uma esperança de tamanho monumental pousaria nos tijolos umedecidos e aquele sorriso largo de rasgar a cara brotaria em nossos rostos.

Cessa a chuva, cai a noite e o Cruzeiro do Sul se mostra brilhante e vaidoso. As Três Marias também despontam sorridentes e convidativas.

A Lua nasce por detrás da verde mata nos lembrando antigas canções do tempo dos nossos pais.

O frio vai aumentando com o passar das horas. O coração pulsante nos mantendo aquecidos. O clima é favorável a tudo e qualquer coisa. É um prazer inigualável.

Se eu pudesse, só por hoje, só por essa noite, ter a lareira acesa, o vinho seco ou frutado, o brinde aos bons encontros, o fondue de queijo ou carne, o chocolate derretido nos morangos suculentos. Ah, as conversas embriagadas, a voz embargada, os olhos lacrimejantes e o amor... ah, o amor de bêbado...

Como eu queria descer aquelas escadas, com medo de pisar em sapos, com os braços cheios de cobertas, rindo feito boba.

Escutar música no carro, namorar no banco de trás e depois levar um daqueles colchões surrados pro gramado do outro lado da rua, pra deitar sob a sublime visão da via láctea e ver uma estrela cadente.

Como eu queria ver uma estrela cadente de novo... queria fazer uma súplica baixinho, cheia de emoção e esperança. Queria olhar aquela imensidão do céu e deixar uma lágrima de felicidade rolar afável e lentamente. Olhar pro lado, ver aquele rosto sereno e sentir uma descarga de adrenalina se espelhar pelo corpo todo. Queria arrepiar-me da cabeça aos pés e depois agradecer em silêncio por toda aquela generosa preciosidade.

Pra fechar o dia, um último brinde, de Amarula dessa vez, pra espantar de vez o frio.

Depois um beijo lento e apaixonado, um cheiro no pescoço, os corpos prensados na cama, as pernas entrelaçadas, o cobertor até a cabeça - boa noite, durma bem e sonhe comigo. - e um último suspiro.

Era só e tudo o que eu queria pra hoje.



(1º de dezembro/2016)
CooJornal nº 1.008





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