Sempre existiram pessoas com a vontade de colecionar alguma preciosidade:
selos, moedas antigas, carros antigos que custam uma fortuna e não andam
mais, fotos de pessoas famosas, quadros e muito mais.
Quando era criança,
em Viena, contaram esta história:
O presidente da república queria
atravessar a rua justamente na frente de um caminhão. Um menino pegou o
braço dele e o empurrou para a calçada e salvou a vida dele.
O presidente falou para o menino: - "Você salvou minha vida, agora pode pedir o
que você quer".
O menino pediu uma foto dele.
Ele deu uma foto, mas disse: - "Você pode pedir muito mais, você salvou minha vida."
O menino pediu mais uma
foto.
O presidente perguntou: - "O que você faz com estas fotos?"
E o menino respondeu: - "Acontece, Sr. Presidente, que com 3 fotos do
senhor posso trocar para
uma do Sindelar (Sindelar era o Pele da Áustria naquele tempo).
Mas eu
tenho amigos que são colecionadores diferentes.
Um amigo meu, o Paulo Varella, me mandou um artigo dele e junto uma série de
fotos de nuvens. Não existem duas nuvens iguais, como não existem duas ondas no
mar iguais.

Uma vez um repórter perguntou a meu pai, que era comandante de
navio: - O Sr. não se cansou ainda de observar o mar, vendo sempre as mesmas
ondas?
Ele respondeu: - Eu estou observando o mar há 50 anos mas nunca vi duas
ondas iguais.

Eu posso imaginar o fascínio do meu amigo Paulo em observar
as nuvens. Não existe nada mais estéril e monótono do que um céu sempre
azul. Em Hollywood são chamadas as MGM nuvens. A Metro Goldwin Maier
nunca filmou com um fundo azul sem nuvens. Eles esperam até que algumas
delas enfeitem o céu.
Outro amigo meu, o Alexandre Amorim, coleciona cometas. Ele se apaixonou
pela primeira vez pelos cometas quando o cometa Hyakutake passou no céu. São os visitantes dos extremos cantos do sistema solar que vêm nos visitar,
às vezes. Eles é que trouxeram água para a terra. São rochas dentro
de um manto de gelo que derrete quando se aproxima do sol e criam a cauda
que sempre aponta na direção oposta ao sol. É o vento solar que faz isto.
O Alex tem reports de todos os cantos da terra sobre aparecimento de um
eventual cometa e avisa o resto do mundo para seguir a trajetória dele.
Sua coleção é de rara beleza.
O cometa C/2006 T1 que encontra-se razoavelmente brilhante no amanhecer,
perto de Saturno com magnitude 9, foi descoberto por David Levy. Algumas
imagens estão em http://www.astrosurf.com/comets/cometas/2006t1/imagenes/2006t1.html
Ele é o mesmo descobridor do cometa que caiu em Júpiter.
Eu me lembro quando o Moshe Bain me ligou dizendo: - Vai rápido, vamos
filmar o impacto.
Eu sai correndo, parei num posto de gasolina para encher o tanque, mas
percebi que deixara minha bolsa em casa. Eu acelerei e fui embora. Foi a
primeira vez na minha vida que não paguei por alguma coisa. Mas que
adiantaria explicar para o atendente o que significa Shoemaher Levy? É
preciso esperar talvez 50.000 anos para se repetir!
Eu, pessoalmente, colecionei eclipses solares. Viajei pelo mundo para filmar
um eclipse de alguns minutos ou segundos. Também não existem dois eclipses
iguais. Nós nos divertimos muitas vezes mostrando fotos de um eclipse para adivinhar em que ano e que lugar aconteceu.

Outro amigo meu coleciona manchas solares! O sol tem manchas que têm um
ciclo misterioso de 11 anos e passam sobre o disco solar. São tempestades
no sol que às vezes interromperam a comunicação de rádio na terra.
Meu
amigo Paulo Moser tem uma página com todos os registros de manchas
solares.
Outros são lunáticos. Adoram registrar as sombras das montanhas nas
crateras da lua, com a passagem das fases da lua.
Outros colecionadores estão acumulando supernovas! Estrelas morrendo numa
explosão espetacular! Eles já descobriram 12, um recorde internacional.
Foram descobertas pelo CEAMIG, Clube de Astronomia de Minas Gerais,
http://brass.astrodatabase.net/pdiscov.htm
Este grupo restrito de colecionadores tem algumas coisas em comum. Eles
adoram dividir a coleção com os outros, eles não precisam de drogas ou
bebida alcoólica para se divertir e olham para cima ao invés de olhar para o
chão.
Eu acho que a primeira visão de um recém-nascido, alem da mãe, é o
céu, as nuvens, a lua, o sol.
(21 de outubro/2006)
CooJornal
no 499