
25/08/2007
Ano 11 -
Número 543
ARQUIVO HELGA SZMUK
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Helga Szmuk
Culpa de quem?
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Porque é tão difícil de admitir uma culpa? Todos nós gostamos de culpar o
professor que deu uma nota baixa no ginásio, culpar o médico por
falecimento de um doente, a mudança do tempo ou a chuva por nosso
resfriado, etc. (apesar de não entendermos nada de medicina). Hitler teve
jogo fácil em culpar os judeus capitalistas ou comunistas durante uma
crise brava depois da primeira guerra mundial, Stalin culpou os ricos e
não é raro ouvir entre nós que a culpa é dos americanos.
De quem e a culpa afinal? Tem um provérbio que diz que uma maçã podre
contaminar as outros. Se for assim, então a solução seria separar todos os
criminosos de uma vez e o resto seria bom. Mas seria simples demais.
Sempre vão surgir novos criminosos. Então, é a cesta que está contaminando
os maçãs? Também não!
Eu conheço somente na história da Alemanha fatos que mostram o contrário:
Beethoven teve um pai alcoólico e ele se tornou um dos maiores gênios da
história da música. Em compensação, o sobrinho dele (de uma cesta
excepcional) era um vagabundo. Goethe a mesma coisa. O filho dele somente
trouxe dor de cabeça para o pai genial. Newton, um de muitos irmãos, se
tornou grande e os outros irmãos medíocres.
Não conheço a história brasileira, mas tenho certeza que não está sendo
diferente. Pais de mau caráter com filhos bons e vice-versa.
Não acredito que Deus criou filhos bons e filhos ruins! Por que faria
isto? Então a resposta seria que depende de nós e somente de nós escolher
um caminho bom ou um caminho errado.
Eu li um artigo sobre pessoas cruéis, em que um guarda de uma prisão nos
Estados Unidos maltratava os prisioneiros. Ele freqüentava a igreja ao
domingos, tinha a bandeira dos Estados Unidos na frente da casa dele e teve
lágrimas nos olhos quando ouviu o hino nacional.
Por que os torcedores batem um ao outro por causa de um jogo perdido ou
ganho? Também adoram a bandeira e o hino do clube.
Os japoneses maltrataram os prisioneiros durante a segunda guerra mundial,
também em nome da bandeira e do rei. Será isto a culpa de todos os males?
Não sei, mas tenho certeza que depende de nós e somente de nós escolher o
caminho.
Está muito na moda, também, culpar os pais por tudo. Eu me lembro - e
nunca vou esquecer - quando em Viena o pai de um amigo do meu irmão, um
discípulo direto de Freud, disse para mim quando perguntei se era verdade
que eu me parecia com minha mãe. A resposta foi: "mas isto não é nada de
se orgulhar!!" Nunca até hoje vou esquecer o choque que senti. Hoje eu sei
que ninguém é responsável por meus atos senão EU mesma. O resto é falta de
responsabilidade por seus atos, nem o pai nem a mãe, menos ainda a chuva
ou o sol são responsáveis.
(25 de agosto/2007)
CooJornal
no 543
Helga Szmuk
astrônoma amadora, professora de idiomas
Florianópolis, SC
helgasz@uol.com.br
http://www.riototal.com.br/astros/
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