
28/11/2008
Ano 12 -
Número 609

Arquivo
Jacqueline Bulos
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Jacqueline Bulos Aisenman
Naftalina
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Esta noite tive um sonho engraçado.... alguém chegava e literalmente metia
a mão nos meus bolsos e tirava de dentro saquinhos de naftalina (fiz até
um poema, tá lá no Certas 2) que caíam pelo chão e me enchiam de
embaraço... eu não sabia o que fazer naquela situação, um monte de gente
ao redor, conhecidos e desconhecidos e os saquinhos de naftalina caindo
dos bolsos lá no chão...
E o pior? Eu ria! E abraçava velhos amigos, falava com um ou outro
passante e ouvia aquela frase tão comum nas rodas: "conta aquela, daquela
vez que...!" E me ouvia contando uma história, outra história, mais uma
outra...
Na vida real tenho raramente lido os emails (que guardo cuidadosamente em
pastinhas para ler desde que minha cabeça seja capaz de fazer um tri
coerente). Não tenho visitado com muita freqüência os blogs e sites de
amigos (ando com uma cortina de cansaço mental dura de puxar) e
fisicamente, ainda mais difícil, me esquivo fortemente do telefone, da
porta da rua e das pessoas que amavelmente tentam se chegar.
Fase, eu sei. E luta constante com certeza. Não é à toa que tenho ido buscar
todo tipo de ajuda possível. Natural (eu sou natural, bem tipo plantinhas
e coisa e tal), no Universo (ainda confio na energia universal como sei
que a energia universal confia em mim mesmo a gente estando com os fios
meio falhos e a comunicação estagnada) e, óbvio para tantos, humano-médico-alopática (os remédios que tanto me assustam, hoje em dia me
aliviam em muitos momentos). Fui buscar todos os tipos de ajuda porque não
tenho vocação pra vítima.
Todos os dias acordo meio sem ter certeza de ter vontade de acordar. Daí,
antes de abrir os olhos faço uma espécie de revisão dos porquês. Por quê
eu deveria levantar? Enumero mental e coracionalmente, busco a coragem
sabe lá onde e levanto. Tem sido assim há semanas... e semanas.
Mas eu sou tão teimosa, tão teimosa. Posso até cheirar a naftalina... mas
insisto em me mexer, em não ser consumida. Pelo menos não pelas traças das
dores da vida, mesmo que elas doam ainda um tempão.
(28 de novembro/2008)
CooJornal
no 609
Jacqueline Bulos Aisenman é autora do livro “CORACIONAL – COISAS QUE
VEM DE DENTRO” .
A escritora nasceu em Laguna/SC e há mais de uma década reside em
Genebra.
Mantém o blog http://certaslinhastortass.blogspot.com/
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