Hoje li um texto de um
amigo, que falava de sussurros na hora H, causando risos e
interrompendo o clímax.
Pois bem, quem já não passou situações constrangedoras nessas horas?
Risadas são o menor problema. Pior é quando a idade causa aqueles
déficits aqui, outros ali, e a audição já não é tão perfeita, assim
como a dicção, levando a equívocos aterradores.
Outro dia, uma amiga me contava da tristeza que foi quando, na hora
em que gemia e dizia ao parceiro, em voz bem sussurrante: -“adoro
sexo”, o cara entendeu: -“te adoro, Sérgio”. Só que o sujeito não se
chamava Sérgio. Aí, segundo ela, ele caiu pro lado, com o rosto
contraído e meio que desesperado, dizendo que não acreditava no que
tinha ouvido. E o pior é que ele acreditava, caso contrário não
teria parado de fazer o que estava fazendo...
Já uma outra amiga contou, também em sussurros, que, ao mudar de
posição na cama, alguns ruídos estranhos, emitidos pela expulsão
súbita de um órgão cheio de ar, fizeram seu parceiro rolar às
gargalhadas, e ela, muito constrangida, explicando que tais ruídos
não eram provenientes de onde ele estava pensando, mas de um outro
lugar mais a frente...
Coisas de alcova.
Eu já vivenciei muitas situações desse tipo, mas a mais engraçada
foi mesmo um erro de dicção seguido. Num desses momentos de amor,
simplesmente não consegui entender o que me havia sido dito e pedi
que ele repetisse: -“o que foi que você disse?”. Gentil e
delicadamente sussurrante, ele repetiu a frase, só que novamente não
compreendi e pedi que ele falasse de novo, ao que ele já não tão
romanticamente grunhiu entre os dentes. E aí, piorou tudo, pois não
entendi mesmo e comecei a rir. Ele, completamente ensandecido, me
sacode e quase me esgana, dessa vez proferindo as palavras
românticas, mas com uma raiva, agora sim, absolutamente
compreensível aos meus ouvidos. Não preciso dizer que acabou um para
um lado e o outro para outro, com beicinhos característicos. Depois
disso, raramente ouvi sussurros daqueles lábios...