
26/04/2008
Ano 11 - Número 578
ARQUIVO LÍLIAN MAIAL
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Lílian Maial
FORÇA NADA ESTRANHA |
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A fraqueza do homem está
na ausência absoluta de razões pelo que ser forte, pelo que lutar.
No mundo atual, as facilidades são tantas, as alternativas, inúmeras,
que as metas já não são traçadas com a mesma determinação de outrora.
O homem se deixa levar pela inércia, pela inatividade, pelo caminho
mais fácil. Ou, ao contrário, como forma de não se deixar abater e
dominar por ela, lança-se desesperadamente ao trabalho, em atividades
múltiplas, sem tempo para a meditação e os questionamentos, o que gera
um desequilíbrio entre o corpo e a mente.
De nada adianta cuidar do corpo, do trabalho, das metas e bens
materiais, se não há conforto na mente e no espírito.
Viemos da terra, somos feitos de carbono, integramos a natureza, dela
nos alimentamos, assim como ela se alimenta de nós. É nela que
recarregamos as energias.
Precisamos não só preservar a natureza, como reparar mais nela,
interagir.
Temos que sentir o sol, perceber seu calor, deixar a luz entrar pelas
pupilas, e alegrar nosso coração.
Necessitamos nos deixar molhar pela chuva, sentir o cheiro da terra,
umedecer os sentidos, amolecer os rancores.
É fundamental observarmos as plantas e flores, tocar em sua
superfície, experimentar sua maciez, permitir que nossos dedos se
regozijem com a ventura de possuir tato.
Obrigatório o banho de mar, ter os pés beijados pelas ondas, as
espumas fazendo cócegas. Perder o olhar na imensidão do azul, lá onde
ele se encontra com o céu, traçando uma linha que costura nossa
imaginação.
É preciso pular, correr, sorrir, gritar, gargalhar, falar alto,
gesticular, autorizar suas emoções a transbordarem e inundarem o
coração da Terra e dos Homens.
E assim - sem religião, céu, inferno, pecado - concebo Deus da forma
mais pura e verdadeira, sem dogmas, sem templos, sem ofertório.
Não me venham falar de fé, de caminho certo, de felicidade, porque um
inspirado poeta já disse e, por assim dizer, viveu essa comunhão:
“- A coisa mais certa de todas as coisas não vale um caminho sob o
sol”.
(26 de abril/2008)
CooJornal no 578
Lílian Maial
médica, poeta, escritora
RJ
http://www.caraacara.blogger.com.br
lilianmt@globo.com
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