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25/03/2006
Número - 469
ARQUIVO
LUCIANO PIRES
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Luciano Pires
DZE ROWLYSTONES
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Recebi por e-mail um anúncio
publicado em jornal de uma cidade do interior, oferecendo um pacote imperdível a quem quisesse assistir ao show
dos Rowlystones na praia de Copacabana, em fevereiro passado. No título do
anúncio estava assim mesmo: row-lys-tones.
Mais de um milhão e meio de pessoas reunidas para assistir ao show da mais
importante banda de rock em atividade, os Rowlystones.
E as tv’s falaram, os jornais cobriram, as rádios anunciaram... O evento
do século. Quase duas horas de rock da melhor qualidade, músicas
históricas e Mick Jagger e seus companheiros detonando, mesmo sexagenários
(ou seria sexuagenários?), rock como não se faz mais.
Para mim, se alguém perguntar o que é Rock´n Roll eu defino: Mick Jagger.
E a maioria vai indagar imediatamente:
- Míqui Jégue? O cantor do rowlystones?
- Você conhece os rowlystones? Canta uma música deles aí!
- Ai quem guéti nou. Sadisféc-chou!
Ouvi isso dezenas de vezes nas monótonas entrevistas pela tv e pelo rádio.
Pois é...
Tenho certeza de que 90% das pessoas que estavam em Copacabana ou
acompanhando os Rolling Stones pela tv, não tinham a menor idéia do que um
dia representaram aqueles senhores no palco. Afinal, hoje os Rolling
Stones são os “Rowlystones”, uma megabanda voltada ao entretenimento puro,
sem a mensagem de rebeldia dos anos sessenta. E que gira por ano quase 200
milhões de dólares...
Que tristeza...
Ninguém prestou atenção na letra de “Sympathy for the Devil”. Ninguém sabe
o que quer dizer “Brown Sugar”. Ninguém lembra da porrada que foi “Gimme
Shelter” em pleno Vietnã... E o que se viu foi mais uma vez a vitória da
forma sobre o conteúdo.
Se naquele palco estivesse o Iu Tchu ou a Banda Calypso, seria a mesma
coisa... Afinal, tudo o que é preciso é uma celebridade, um pouco de
histeria da mídia, luzes, som alto e... Um rebanho.
E o show foi fantástico. A reação do público inesquecível. A energia de
Mick Jagger impressionante. As luzes encantadoras. O som perfeito. Um mega
show, com direito a ter a transmissão bruscamente interrompida pela Globo,
que precisava faturar.
Tudo perfeito.
Como deve ser um xou de roque.
(25 de março/2006)
CooJornal no 469
Luciano Pires é jornalista, escritor,
conferencista e cartunista.
luciano@lucianopires.com.br
www.lucianopires.com.br
SP
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