|
Luiz Carlos Guedes
o bom territorialista cultural
|
 |
Não o conheço
pessoalmente, mas leio seus artigos no CooJornal, todas as semanas,
através da fantástica facilidade permitida pela internet. Seus artigos,
comentários e reflexões conduzem nosso imaginário a formar seu perfil
como nos livros, onde nossa percepção pessoal define como vemos o
personagem.
Outro dia vi, por
alguns minutos, o trecho de um filme que nem mesmo sei como se chama,
mas que mostrava um menino com uma incrível curiosidade pelas palavras e
uma ansiedade incontrolável em saber seus significados. Anotava todas as
palavras que não conhecia e depois enlouquecia pais e conhecidos
querendo saber o que queriam dizer. Sua maior felicidade foi quando
ganhou do irmão mais velho um dicionário. Aquele livro grande, grosso,
cheio de palavras com seus significados e variações foi sua glória
maior. Tinha tudo ali. Tudo que ele queria e sonhou: o saber.
Tenho quase que
certeza de este filme se referia à história de um escritor famoso.
Na minha concepção,
nosso amigo deve ter sido, quando criança, muito parecido com o garoto
do filme, ávido por entender as palavras. Capaz de ler, na adolescência,
“Os Pardaillans” e “Fausta” de Michel Zevaco e extrair dos romances a
realidade histórica do renascentismo e da França medieval.
Sim, por que ao
contrário do que muita gente pensa, os romances através de sua ficção
mostram muito da realidade de um lugar, de seu povo e da cultura da
época onde se situam.
Que melhor forma de
conhecer os baianos e seu jeito de ser que não através de Jorge Amado?
Os gaúchos e a formação do Rio Grande do Sul com “O Tempo e Vento” de
Érico Veríssimo? Ou, ainda, a saga do povo catarinense, com a leitura de
“Cruzeiros do Sul” de Urda Klueger? E aqui estou citando só alguns
autores que se dedicam à preservação da cultura de seu povo. Há
infindáveis livros fascinantes que nos levam a conhecer o mundo.
Voltando ao nosso
amigo, é assim que o vejo. Um apaixonado pela literatura e pelo saber
sem egoísmo. Não quer o conhecimento só para si, mas para todos,
principalmente para as gerações futuras, defendendo a cultura e os
escritores de seu estado natal com o entusiasmo de um jovem
revolucionário em praça pública.
Se o Brasil tivesse
em cada uma de suas cidade um suplemento literário como “A Ilha” -
editado e distribuído pelo Luiz Carlos Amorim - e seus projetos
culturais populares, certamente teríamos uma juventude mais sábia, mais
consciente de seus valores morais e culturais.
(19 de maio/2007)
CooJornal no 529
LUIZ CARLOS GUEDES
professor, jornalista, radialista.
Editor do caderno Negócios, Agroindústria e Tecnologia do jornal A Tribuna
e editor do informativo eletrônico CooJornal e da revista eletrônica Rio Total.
guedes@coojornal.com.br