19/05/2007
Número - 529


ARQUIVO
LUIZ CARLOS GUEDES


 
Luiz Carlos Guedes

 

o bom territorialista cultural
 

Não o conheço pessoalmente, mas leio seus artigos no CooJornal, todas as semanas, através da fantástica facilidade permitida pela internet. Seus artigos, comentários e reflexões conduzem nosso imaginário a formar seu perfil como nos livros, onde nossa percepção pessoal define como vemos o personagem.

Outro dia vi, por alguns minutos, o trecho de um filme que nem mesmo sei como se chama, mas que mostrava um menino com uma incrível curiosidade pelas palavras e uma ansiedade incontrolável em saber seus significados. Anotava todas as palavras que não conhecia e depois enlouquecia pais e conhecidos querendo saber o que queriam dizer. Sua maior felicidade foi quando ganhou do irmão mais velho um dicionário. Aquele livro grande, grosso, cheio de palavras com seus significados e variações foi sua glória maior. Tinha tudo ali. Tudo que ele queria e sonhou: o saber.

Tenho quase que certeza de este filme se referia à história de um escritor famoso.

Na minha concepção, nosso amigo deve ter sido, quando criança, muito parecido com o garoto do filme, ávido por entender as palavras. Capaz de ler, na adolescência, “Os Pardaillans” e “Fausta” de Michel Zevaco e extrair dos romances a realidade histórica do renascentismo e da França medieval.

Sim, por que ao contrário do que muita gente pensa, os romances através de sua ficção mostram muito da realidade de um lugar, de seu povo e da cultura da época onde se situam.

Que melhor forma de conhecer os baianos e seu jeito de ser que não através de Jorge Amado? Os gaúchos e a formação do Rio Grande do Sul com “O Tempo e Vento” de Érico Veríssimo? Ou, ainda, a saga do povo catarinense, com a leitura de “Cruzeiros do Sul” de Urda Klueger? E aqui estou citando só alguns autores que se dedicam à preservação da cultura de seu povo. Há infindáveis livros fascinantes que nos levam a conhecer o mundo.

Voltando ao nosso amigo, é assim que o vejo. Um apaixonado pela literatura e pelo saber sem egoísmo. Não quer o conhecimento só para si, mas para todos, principalmente para as gerações futuras, defendendo a cultura e os escritores de seu estado natal com o entusiasmo de um jovem revolucionário em praça pública.

Se o Brasil tivesse em cada uma de suas cidade um suplemento literário como “A Ilha” - editado e distribuído pelo Luiz Carlos Amorim - e seus projetos culturais populares, certamente teríamos uma juventude mais sábia, mais consciente de seus valores morais e culturais.



(19 de maio/2007)
CooJornal no 529


LUIZ CARLOS GUEDES
professor, jornalista, radialista.
Editor do caderno Negócios, Agroindústria e Tecnologia do jornal A Tribuna
e editor do informativo eletrônico CooJornal e da revista eletrônica Rio Total.
guedes@coojornal.com.br