
10/10/2009
Ano 12 - Número 653 
ARQUIVO
LUIZ SARDINHA
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Luiz
Bosco Sardinha Machado
A TEORIA DO SUBJUGO NACIONAL
(4ª. Parte)
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A nossa sugestão, dita no número anterior, para a transferência de tecnologia,
com a fabricação das aeronaves de caça no país, por certo irá cair no vazio,
isto porquê na época do regime militar, fez-se um acordo com a indústria
italiana para a fabricação do AMX pela então estatal EMBRAER, aqui no Brasil, o
que efetivamente aconteceu. Mas, novamente, a mão invisível do subjugo nacional
funcionou: planos, plantas e tecnologia foram arrastadas para o ralo pela força
de pressões obscuras.
Nunca mais se falou na Aeromacchi/Embraer/AMX.
Resume-se, material bélico e corrupção são palavras indissociáveis. Não precisa
entender de política, sociologia ou história para explicar. Os países pobres
abastecem os seus poderosos de plantão através da propina e de negócios
subjacentes à compra de armas, que geralmente são vendidas a preços
superfaturados.
Preços que nem sempre são determinantes na escolha do material a ser comprado. O
argumento mais comum utilizado para a compra do mais caro é o da transferência
de tecnologia, que na verdade nunca chega ao país comprador, que fica sempre
dependente ou subjugado ao país vendedor.
O interessante, curioso e acima de tudo triste é que a fabricação do caça
francês RAFALE, do canadense ARROW e do ítalo/brasileiro AMX e de todos outros
aviões em uso no mundo, só seria possível graças a um metal, cuja produção
depende quase que exclusivamente do Brasil, que detém 97% das jazidas
conhecidas: o nióbio, o mais leve dos metais refratários.
O CFM56 - o motor a jato mais usado hoje em dia, feito pela joint-venture GE/Snecma
- contém cerca de 300 quilos de nióbio de alta pureza. Vale lembrar que a maior
parte desse nióbio é proveniente da mina da CBMM em Araxá, Minas Gerais.
A aplicação e importância do nióbio não pára por aí: sendo a mais importante,
como elemento de liga para conferir melhoria de propriedades em produtos de aço,
especialmente nos aços de alta resistência e baixa liga usados na fabricação de
automóveis e de tubulações para transmissão de gás sob alta pressão e ainda seu
emprego em superligas que operam a altas temperaturas. É também adicionado ao
aço inoxidável utilizado em sistema de escapamento dos automóveis, e ainda na
produção de ligas supercondutoras de nióbio-titânio usadas na fabricação de
magnetos para tomógrafos de ressonância magnética. Encontra aplicação também em
cerâmicas eletrônicas, em lentes para câmeras e em fibras óticas.
Apenas por curiosidade, pesquisadores da UFRJ obtiveram o luminol, substância
utilizada em perícia criminal para detectar resíduos de sangue, a partir da
utilização do nióbio.
Detendo as maiores jazidas conhecidas do estratégico mineral, é o terceiro em
valor na nossa pauta de exportações, o nióbio deveria representar para nós o que
o petróleo significa para o Oriente Médio.
Mas não é assim. Na Bolsa de Londres, o valor simbólico de cotação, beira os
US$90,00 o quilo, não havendo registro de negócios. As mineradoras (todas
estrangeiras) que retiram o minério no país, vendem-no para uma holding por um
valor meramente escritural, que contabilmente surge como realmente pago e o
repassa ao usuário final por um preço infinitamente superior.
O nióbio é o único produto do mundo cujo preço final é estipulado pelo
comprador, que paga ao vendedor as quireras que um país subjugado merece.
Quando Lula tomou posse, muito acreditou-se que tal estado de coisas iria mudar.
Certamente mudou, mas para pior.
Os ambientalistas e os patriotas aguardavam com ansiedade o novo marco
regulatório que deveria disciplinar a ação predatória das mineradoras que estão
transformando o país num queijo suíço, aqui só deixando os dejetos e rejeitos
que só emporcalham e poluem nossos rios. O que se vê?
Voltaremos ao assunto.
(10 de outubro/2009)
CooJornal
no 653
Luiz Sardinha é escritor
colunadosardinha.blogspot.com
RS
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