
05/12/2009
Ano 13 - Número 661 
ARQUIVO
LUIZ SARDINHA
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Luiz
Bosco Sardinha Machado
O VENCEDOR É....
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Este não é definitivamente, o país com o qual
sonhamos.
É notória e até folclórica a fama de indolente do brasileiro, já cantada em
música de Ari Barroso, tiras em quadrinhos de Walt Disney – Zé Carioca - e até
personagem de livro de Monteiro Lobato, o Jeca Tatu. Óbvio, que ser indolente
não nos é motivo de glória.
Entretanto o brasileiro da época de Lobato era simplesmente ingênuo. Descendente
dos nossos primitivos ancestrais, os índios, tinha uma vida simples, que não
reclamava fortunas para sobreviver. Contentava-se com muito pouco.
Corrupção havia, mas não sei se podemos chamá-la assim, ela era até inocente.
Hoje, a corrupção é um processo que foi evoluindo, arraigando-se em nossa
formação cultural e precisaria muito mais, do que um dirigente midiático alheio
a questões que mexem no cerne, no âmago da organização do Estado, para
extirpá-la, qual câncer maligno.
Infelizmente, Lula está muito mais para ator canastrão mexicano, de produção
cinematográfica de quinta categoria, do que de estadista, que é o que o Brasil
precisa.
Com a entronização da Economia no altar das prioridades e o consumeirismo,
definindo condição ou status – é mais, quem consome mais, a situação ganhou
contornos de emergência.
A corrupção ganhou espaço, popularizou-se e institucionalizou-se. Tornou-se
“normal”.
Se acompanhamos futebol, vemos com que naturalidade jogadores, dirigentes e
torcedores apóiam e consideram pacífica a existência de uma “mala branca”, para
vencer um adversário e prejudicar outro.
Entretanto, “mala branca” é suborno, palavra tão feia que os ligados ao esporte,
mesmo locutores e comentaristas negam-se pronunciar, por ser coisa de marginal.
Quem pratica “mala branca”, por certo não terá pudores para aderir à “mala
preta”, comprando adversários, juízes e bandeirinhas.
“Mala branca” ou preta é a versão esportiva da corrupção e assim deve ser
encarada, pois o esporte é reflexo da política, onde a corrupção corre livre,
leve e solta.
O escândalo de Brasília, envolvendo o governador José Roberto Arruda (DEM/DF) em
um episódio que está sendo chamado de “mensalinho” é mais um de uma longa série,
e se mantida a estrutura atual, não será o ultimo.
Por isso, também não é estranhável, que o presidente Lula considere as provas
levantadas contra o governador do DF – vídeos e fitas gravadas – insuficientes
para a cassação do político. Lula tem experiência e know-how adquiridos na época
do mensalão.
Seguramente, não será mesmo o ultimo, isto porque: o político sabe que, como das
outras vezes, não haverá unzinho sequer, processado, condenado e preso ou
obrigado a ressarcir os cofres públicos.
O máximo que pode ocorrer é uma “cassação premiada”, onde o político perde os
anéis, mas não perde os cinco dedos, que possibilitam a continuada usurpação
fácil dos bens públicos.
Poder-se-ia fazer filmes bem didáticos sobre a corrupção no Brasil,
instituindo-se o “Corrupção Awards”, o Oscar da Corrupção, que seria conferido
aos que se destacassem.
Por haverem candidatos bem mais fortes, o governador distrital e seu
secretariado, não ganharia tal prêmio, que seria um emblemático corrupio e cujo
slogan seria, bem popularzão: “se vira que ninguém te pega”.
(05 de dezembro/2009)
CooJornal
no 661
Luiz Sardinha é escritor
colunadosardinha.blogspot.com
RS
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