
12/09/2008
Ano 12 - Número 598

ARQUIVO
MARCELO SGUASSÁBIA
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| Marcelo
Sguassábia
Mínimo menino comum
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No
desajeito próprio dos pequenos, sem que tivesse a exata noção de si –
coisa que nem os adultos do lugar pareciam possuir, o menino era um
espanto em andamento, e em sua mente muito intacta o que fosse dito ou
visto se incrustava.
Baixem-se a guarda, as armas, o tom de voz. Minimize-se o menino, seja
dos mínimos o menor, um prodígio fabricante de sorrisos nos crescidos.
Deixe-se envolver no bem-estar de vê-lo, já que não se pode sê-lo.
Note que entre ele e o cachorrinho de pelúcia deu-se a química, um
afeto de centelha.
Não que careça ver nexo nesse afeto que reporto, apenas digo que as
notas da quarta balada, em suspensão há décadas nas auroras de tais
sítios, pousaram lisas agora nas felpas da sua manta. Caiba o menino
nas meninas de outros olhos, para que vocês também, libertos de suas
túnicas de arame, possam vê-lo nos pompons de sua inteireza.
Mínimo, como convém, seja o sultão dos tapetes fofos e o campeão
olímpico das piscinas de bolinhas. Fucem à vontade em seus
dispositivos de armazenamento de zil gigas, dêem no Google todas as
buscas possíveis, mas de antemão não contem com a ventura de
encontrá-lo, pois é inconcluso e rarefeito como os mínimos meninos.
(12de setembro/2008)
CooJornal no 598
Marcelo Pirajá Sguassábia
publicitário e escritor
Campinas - SP
msguassabia@yahoo.com.br
www.consoantesreticentes.blogspot.com
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