A China sempre foi um
país envolto em mistério, com seus mandarins, mulheres vestidas de seda
e muitas bicicletas. Mais recentemente uma revolução distanciou-a do
resto mundo. Agora só dá para ficar fantasiando uma China gigantesca com
mais de um bilhão de pessoas. Imagina produzir café da manhã, almoço e
jantar pra esse pessoal todo, deve ser dureza. Lá um casal pode ter no
máximo um filho. Se desobedecer perde direitos sociais e pode até ser
preso. Isto tudo, para não aumentar mais a população.
A gente também sabe
que os chineses inventaram a pólvora. E aqui no Brasil quando alguém era
óbvio demais, a gente dizia: “tá querendo
inventar a pólvora, mané?”.
A invenção provocou
muitos problemas, porque começaram uns a estourar a cabeça dos outros.
Para compensar inventaram a bola. Sim senhor, quem diria a bola. Não sei
se de couro ou de meia.
Já os ingleses
aproveitaram a bola chinesa, criaram uma série de regras e o campo com a
grama bem verdinha. E assim inventaram o futebol. Para demarcar os
limites do campo, chamaram um português de nome Manoel, que disse que as
4 linhas, a marca da área, a própria bola, etc, deveriam ser brancas,
para contrastar com o verde do campo.
Nós brasileiros
inventamos Leônidas da Silva, Heleno de Freitas, Pelé, Garrincha e
muitos outros, que ensinaram a Ingleses e Portugueses como jogar
futebol. Criamos também a famosa frase que diz:“Em time que está
ganhando não se mexe”.
Bem, começa o
Campeonato Carioca 2006. Os jogadores reclamam da bola. Nem dei muita
atenção. Mas aí vem o clássico Botafogo e Vasco. Reinauguração do
Maracanã do dia 22 de janeiro. A tradicional partida tinha todos os
ingredientes: calor, torcida, jogadores, gandulas, policiais, penetras,
repórteres e o juiz ladrão. Sim, porque para a torcida, todo juiz que se
preza é um tremendo larápio, que recebe as devidas vaias, mesmo antes do
início do partida.
Os jogadores entraram
em campo, com um monte de crianças para tirar as fotos. A torcida acesa,
espera o início da peleja, o juiz consulta o cronômetro. Mas eis que
alguém (acho que foi o Romário) faz a singela pergunta: -“Cadê a
bola?” .
A bola, ou melhor, as
bolas tinham desaparecido. Procura daqui. Procura dali. Alguém acabou
achando. Logo o veio o grito: - Achei, tá
aqui. Só que a cor é muito esquisita.
A bola desaparecida
tinha a cor de cocô de marciano. E portanto estava igual a grama. E
portanto invisível.
Resultado da partida 5
x 3 para o Botafogo. O resultado elástico segundo alguns jogadores e os
goleiros que reclamaram muito, era por causa da bola invisível.
Acabou o primeiro
turno, com um total repúdio à bola em questão. Começou o segundo turno,
com as mesmas bolas. O jogo inaugural foi de Fluminense e Madureira, no
estádio de Conselheiro Galvão. Começa o jogo. Temperatura: 40 graus. O
Madureira faz um e depois dois. O Flu faz um. Pênalti para o Flu cobrar.
O craque Petkovic chuta para fora, perdendo o primeiro pênalti de sua
vida. Vitória do time da casa. Segundo um comentarista o Madureira
ganhou, porque treinou a semana inteira com a bola invisível.
Um torcedor indignado
no final do jogo ainda desabafou: “Fala sério, quem
inventou essa merda de bola?”
Com certeza um gênio
invisível. Que está se borrando de medo, escondido das torcidas
indignadas, que não conseguem ver direito a bola rolando, nem ao vivo e
nem pela TV. E grita gol sempre atrasada, tal é a ilusão ótica.
Na boa, já ouvi dizer
que o próximo passo do gênio criador da bola invisível, é inventar a
pólvora.